sábado, 19 de agosto de 2017

Na União Europeia do futuro, Portugal é o segundo país mais envelhecido

A mais baixa taxa de fecundidade da União Europeia, estagnação económica, decréscimo e envelhecimento da população. São estes os problemas diagnosticados a Portugal, num recente estudo que revela uma Europa dividida em duas.

No final do século, prevê-se que Portugal seja o país mais velho da UE, a seguir à Grécia

No final do século, prevê-se que Portugal seja o país mais velho da UE, a seguir à Grécia DARIO CRUZ / PUBLICO


“Todos os países europeus estão a envelhecer, mas nem todos estão a encolher." No entanto, “os países que sofrem de emigração e onde poucos filhos nascem, vão encolher de forma radical". Este é o caso da Europa do Leste e do Sul. E, concretamente, o caso de Portugal. É o Instituto de Berlim para a População e o Desenvolvimento que o diz, num estudo demográfico acerca da Europa publicado no início deste mês.


“Em 2050, é provável que a população actual de 10,4 milhões tenha caído para 9,1 milhões” – uma projecção que, ainda assim, assume que Portugal conseguirá parar a emigração a partir de 2019. Para além disso, prevê-se que, até ao final do século, Portugal seja o Estado da União Europeia (UE) com mais pessoas acima dos 65 anos em relação à população em idade activa, exceptuando a Grécia”.

O problema está na natalidade. Segundo o estudo, no início dos anos 70, as mulheres em Portugal ainda davam à luz “mais de três crianças, em média”. Com o fim da ditadura e com o ingresso na UE, o “país embarcou na modernização social, resultando numa queda da taxa de fecundidade total para 1,5 crianças por mulher”, nos anos 90. Só que enquanto noutras partes da Europa do Sul o número voltou a aumentar, em Portugal não. Hoje, a taxa de fecundidade de 1,31 ainda permanece a mais baixa da União Europeia.

“Parar a emigração num futuro próximo e tornar o país mais atraente para as famílias jovens depende da rapidez com que Portugal consegue recuperar a economia”, refere-se ainda.

Luta para cativar migrantes europeus


Na Europa, as taxas de fecundidade permanecem baixas, a população está a envelhecer e “praticamente em todo o lado, um número crescente de pessoas estão a reformar-se enquanto cada vez menos estão a entrar no mercado do trabalho”, lê-se no relatório. Actualmente “há apenas três pessoas em idade activa para cada pensionista” – “Em meados do século, esse índice pode cair para uma a cada duas”.

As políticas de incentivo à parentalidade “não conseguem ter impacto a curto prazo” para um problema cuja resolução é urgente. Então, como contrariar esta realidade?

Uma das soluções sugeridas pelo estudo passa por “melhor integrar grupos que têm estado em desvantagem no mercado – as mulheres, as pessoas com baixas qualificações e os imigrantes que já estão a viver no país.” A imigração também pode ter um impacto muito positivo, tendo em conta que “em média, os imigrantes são mais novos que a população nativa” – “se bem integrados, podem contrariar, em parte, o envelhecimento da população”.

Este é só um dos sintomas da existência de duas realidades demarcadas no continente europeu. Nos países do norte, oeste e centro, “as taxas de fecundidade e imigração comparativamente elevadas garantem o crescimento populacional”. No sul e leste da Europa, regiões economicamente mais fracas, prevê-se “um envelhecimento acelerado e perdas populacionais”.

Tudo se reflecte na tabela classificativa da demografia e economia do estudo, que avaliou 290 regiões europeias. Aquelas com melhor desempenho em 2016 foram Estocolmo (Suécia), Noroeste da Suíça, Zurique (Suíça), Oeste de Londres (Reino Unido), Alta Baviera (Alemanha), Vorarlberg (Áustria), Suíça central, Luxemburgo e o Lago Genebra (Suíça). Focando em Portugal, Lisboa está em 216.º, Algarve em 245.º, o Norte de Portugal em 269.º e o Centro em 270.º. Açores (277.º), Alentejo (284.º) e Madeira (288.º) surgem mais no final da lista. 

Texto editado por Pedro Sales Dias
 

quinta-feira, 27 de abril de 2017

Número de filhos nascidos de pais que não vivem juntos duplica em seis anos

População portuguesa diminui. Proporção de nascimentos “fora do casamento sem coabitação dos pais” passou de 9,2% em 2010 para 17,1% em 2016. Houve 422 celebrações de casamentos entre pessoas do mesmo sexo, mais 72 do que no ano anterior.

Portugal continua com um saldo natural negativo. Ou seja, confirmando as tendências dos últimos anos, em 2016 houve mais gente a morrer do que a nascer, fazendo com que a população diminua pelo oitavo ano consecutivo. Do total de 87.126 crianças nascidas, 52,8% são filhos “fora do casamento”, ou seja, de pais que não estão casados. Aumentou a proporção de filhos nascidos de pais que não vivem juntos: quase duplicou em seis anos, passando de 9,2% em 2010 para 17,1% em 2016. No ano passado, 35,7% dos nascidos eram filhos de casais que coabitam.

Estas são as Estatísticas Vitais do Instituto Nacional de Estatística (INE), divulgadas nesta quinta-feira, que mostram que no ano passado nasceram mais 1,9% de crianças em Portugal do que no ano anterior, só que o número de mortes também aumentou em 1,8% (representando mais de 110 mil). A maioria foi do sexo masculino (quase mais 2500 rapazes).

Já em relação à idade das mães, a grande fatia vai para as mulheres que têm entre 20 e 34 anos (que representa 66%), enquanto o grupo das que têm menos de 20 anos continua a decrescer desde 2010 (passou de representar 4,1% dos nascimentos para 2,5%). Inversamente, as mulheres que são mães com mais de 35 anos continuam a crescer: foi quase 10% entre 2010 e 2016, passando de 21,8% para 31,5% no último ano.


Mais mortes de homens

Nos óbitos, registaram-se mais homens (55 601) do que mulheres (54 934) e a esmagadora maioria (85%) tinha mais de 65 anos. Houve ainda 278 mortes de crianças com menos de um ano, mais 28 do que no ano passado, o que significa uma taxa de mortalidade infantil de 3,2 óbitos por mil nados vivos (era 2,9 em 2015), segundo contas do INE.

Setembro continua a ser o mês em que mais crianças nasceram entre 2010 e 2016 (excepto em 2011, ano em que o mês com maior número de nascimentos foi Julho). Fevereiro mantém-se como o mês com menos nascimentos (uma regra que 2011 voltou a ser quebrada já que nesse ano Abril teve o menor número de nascimentos).

Por outro lado, se nasceram mais crianças em Setembro, já as mortes aconteceram sobretudo em Dezembro (em 2015 Janeiro tinha sido o mês com mais registos de óbitos). Apesar de a mortalidade apresentar um padrão geral sazonal – mais no Inverno, e menos na Primavera e no Verão – em 2016 houve mais óbitos em Julho e Agosto, se comparado com o período homólogo de 2015.

Já em relação aos casamentos, houve 422 celebrações entre pessoas do mesmo sexo, mais 72 do que no ano anterior. A maioria desses, 249, foi entre homens, e 173 entre mulheres. A preferência continua a ser pelo civil: dos 32.399 registados, 64,2% celebraram-se dessa forma, e 35,3% pela Igreja Católica, sendo muito baixo o número de casamentos por outras formas religiosas (0,5%). 

Daqueles que se casam, a maioria já co-habitava antes de dar o nó, situação que tem vindo a aumentar significativamente nos últimos anos, passando de 44,2% em 2010 para 56,1% em 2016. O INE não registou variação significativa de 2015 para 2016 no número de casamentos, que passaram de 32.393 para 32.399.

quinta-feira, 6 de abril de 2017

Balanço Térmico da Terra

O equilíbrio térmico do planeta é garantido pela ação da atmosfera que tem a capacidade de filtrar a radiação solar, impedindo que esta atinja na sua totalidade a Terra e simultaneamente a capacidade que possui em absorver uma parte do calor emitido pelo sol e pela superficie terrestre. Desta forma, a temperatura média do planeta mantém-se nos cerca de 15º C. Observa a animação seguinte que explica o funcionamento deste fenómeno. 


quarta-feira, 29 de março de 2017

Mapa do passado dos sismos em Portugal esclarece riscos no futuro

Investigadores da Universidade de Évora analisaram dados sobre a atividade sísmica em Portugal de 1300 a 2014. O mapa regista 175 sismos neste período e define claramente as zonas de maior risco no futuro.



Uma equipa de cientistas da Universidade de Évora estudou o quanto Portugal tremeu (e onde) ao longo de várias centenas de anos, mais precisamente entre 1300 e 2014. O mapa de intensidades sísmicas máximas observadas destaca a região de Lisboa e arredores, o Norte da costa alentejana e o Algarve como as zonas mais sensíveis. Partindo da certeza de que a terra vai voltar a tremer um dia, os investigadores defendem a adoção de medidas de prevenção nas zonas mais críticas.

Portugal vai sofrer um sismo? “Seguramente”, responde, sem qualquer hesitação, Mourad Bezzeghoud, investigador do Instituto de Ciências da Terra da Universidade de Évora e um dos autores do artigo publicado na revista Sismological Research Letters, da Sociedade Americana de Sismologia.

 
Quando? “Não sou capaz de dizer. É impossível saber isso com exatidão”, admite o geofísico. E onde? O que o mapa que a equipa de investigadores da Universidade de Évora nos diz é que há locais onde um eventual sismo poderá surgir com mais intensidade. São as áreas que escondem perto de nós um “confronto de duas placas tectónicas”, a africana que está a colidir com a euroasiática, explica Mourad Bezzeghoud. Mais precisamente, o Algarve e a região de Lisboa e arredores.


PÚBLICO -

O estudo agora apresentado considerou um período histórico, entre 1300 e 1985, e um período de medições instrumentais entre 1986 e 2014 com dados mais precisos (nomeadamente, os registos feitos pelo Instituto Português do Mar e da Atmosfera, ou IPMA). “Setecentos anos parece muito tempo mas não é nada se pensarmos no tempo da Terra”, avisa o investigador, que faz questão de sublinhar que este estudo é um projeto aberto e pode (e deve) ser alvo de contributos de qualquer investigador interessado. No período histórico foram registados 160 eventos sísmicos e no período mais recente foram usados os dados de 15 sismos. Um total de 175 pontos assinalados no mapa, portanto.

A tremer durante uma "Avé Maria"

Para perceber o que aconteceu antes de 1986 foi preciso recorrer a qualquer tipo de registo. Cartas, relatórios, documentos históricos, notícias, qualquer coisa. Os investigadores recuaram a um tempo em que o registo de um sismo era descrito com um “castigo de Deus” que destruía igrejas e casas e durava “uma Avé Maria”.

Com diferentes fontes de informação, a equipa converteu todos os dados para uma só escala (a Escala de Mercalli Modificada) e para a elaboração do mapa foram apenas considerados os eventos sísmicos com uma intensidade igual ou superior a V (cinco). De acordo com a escala usada, um sismo de intensidade V é aquele que é, por exemplo, capaz de acordar alguém que está a dormir. O IPMA classifica esta intensidade como forte e descreve que pode ser “sentido fora de casa; pode ser avaliada a direção do movimento; as pessoas são acordadas; os líquidos oscilam e alguns extravasam; pequenos objetos em equilíbrio instável deslocam-se ou são derrubados; as portas oscilam, fecham-se ou abrem-se; os estores e os quadros movem-se, os pêndulos dos relógios param ou iniciam ou alteram o seu estado de oscilação”.

Segundo concluíram, aproximadamente cem anos separam os três sismos com magnitude superior a 8,0 na escala de Ritcher (relativa à magnitude, a energia libertada por um sismo) ocorridos no período em estudo: em 1755, com epicentro na costa, sentido em toda a Europa e seguido de tsunami em Portugal, no golfo de Cádis e no Norte de Marrocos; em 1858, com epicentro ao largo da costa; e em 1969, seguido de um tsunami pouco intenso.


O risco sísmico em Portugal continental e na região Atlântica subjacente é caracterizado por eventos moderados a fortes em terra e elevados a muito elevados no mar. Isto já se sabia antes da elaboração deste mapa. Além de tornar mais legível o passado sísmico de Portugal, este estudo deixa avisos para o futuro. O zonamento da perigosidade sísmica é “crítico” para “apoiar a tomada de decisões relativamente à localização e qualidade da construção”, defende Mourad Bezzeghoud. E se pouco podemos fazer além de eventuais reforços em relação aos edifícios que já existem, as novas construções deveriam ser abrangidas por mais regras anti-sísmicas, diz o investigador.

As áreas de maior concentração demográfica coincidem com as zonas com intensidades sísmicas mais elevadas, situação que, alerta ainda o investigador, “conjugada com a inadequada capacidade de grande parte do nosso edificado resistir satisfatoriamente a fortes solicitações sísmicas”, coloca “uma parte importante da população portuguesa numa situação de risco sísmico considerável”.

 Remetendo para um texto sobre o risco sísmico publicado no site da Organização dos Trabalhadores Científicos portugueses, Mourad Bezzeghoud nota que qualquer avaliação deve começar por conhecer, com rigor, como o território foi afetado no passado. São esses os dados que, combinados com o conhecimento científico do fenómeno, vão permitir projetar um futuro mais seguro. “Não podemos impedir a ocorrência de um sismo, mas podemos fazer previsões a médio e longo prazo mais ou menos precisas e tomar as devidas precauções para minimizar consequências humanas ou económicas”, conclui.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Esperança média de vida pode ultrapassar os 90 anos em 2030

Lusa22 de fevereiro de 2017 às 00:30
A expectativa de vida deve continuar a subir nos países desenvolvidos e em alguns deles superar os 90 anos, com Portugal a ter das maiores subidas na esperança de vida das mulheres, indica um estudo da The Lancet publicado esta quarta-feira.
Esperança média de vida pode ultrapassar os 90 anos em 2030
Foto da Reuters




O estudo publicado na revista de ciência médica The Lancet inclui 35 países, apontando que será a Coreia do Sul a ter provavelmente um maior aumento da expectativa de vida.

Comparando as previsões para 2030 com a realidade de 2010, o trabalho assinala que Portugal será dos países com maior subida em relação às mulheres, em conjunto com a Coreia do Sul e a Eslovénia. De acordo com o estudo, as mulheres portuguesas terão em 2030 uma esperança média de vida superior em 4,4 anos (6,6 e 7,4 na Coreia e na Eslovénia, respetivamente).

Dados do Instituto Nacional de Estatística divulgados no final do ano passado indicam que para o triénio 2013-15 a esperança média de vida, à nascença, dos homens em Portugal era de 77,36 anos e para as mulheres de 83,23. De acordo com o estudo uma mulher nascida em 2030 teria portanto uma esperança média de vida superior aos 87 anos.

Segundo a The Lancet, em 2030 a esperança de vida à nascença das mulheres sul-coreanas terá ultrapassado os 90 anos (90,8), seguindo-se as francesas (88,6 anos), e as japonesas (88,4 anos). Nos homens, o primeiro lugar do "ranking" pertence também à Coreia do Sul (84,1 anos), seguindo-se os australianos e os suíços (84 anos). 

De acordo com os investigadores o aumento da esperança de vida vai ter grandes implicações nas áreas da saúde e assistência social, que terão de se adaptar, e exigirá medidas políticas de apoio ao envelhecimento saudável. Será necessário, dizem, aumentar o investimento na saúde e na assistência social, e possivelmente rever a idade de reforma.

"Até recentemente, na mudança do século, muitos investigadores acreditavam que a expectativa de vida nunca ultrapassaria os 90 anos", disse o autor principal do estudo, o professor Majid Ezzati, do Imperial College de Londres, realçando a importância de novas políticas para apoiar a crescente população mais idosa e de modelos alternativos de cuidados, como cuidados domiciliários apoiados na tecnologia.

O estudo usou técnicas estatísticas idênticas às utilizadas nas previsões meteorológicas e desenvolveu 21 modelos para prever a esperança de vida (outras projecções usam apenas um modelo), combinando-os.

Embora suba em todos os países, o aumento da esperança média de vida será menor na Macedónia, Bulgária, Japão e Estados Unidos para as mulheres, e na Macedónia, Grécia, Suécia e Estados Unidos para os homens.

Os Estados Unidos serão o país com menor crescimento da esperança média de vida à nascença, sendo que a esperança média de vida atual também já é das mais baixas dos países desenvolvidos.

O estudo também calculou quantos anos viveria uma pessoa com 65 anos em 2030 e considerou que as mulheres viveram mais 24 anos em 11 dos 35 países e os homens mais 20 anos em 22 países.

Fonte: http://www.jornaldenegocios.pt/

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Organismos Geneticamente Modificados em Portugal


Produção em Aquicultura em Portugal


Transporte de Passageiros em Portugal


Transporte de Mercadorias em Portugal


Consumo Energético dos Transportes em Portugal


Produção e Consumo de Energia

Aquicultura

Organismos Geneticamente Modificados

domingo, 15 de janeiro de 2017

NASA confirma o agosto mais quente desde há 136 anos

A NASA confirmou hoje que o mês de agosto foi o mais quente a nível global, desde há 136 anos, igualando o valor de julho de 2016. Nestes dois meses a temperatura média na Terra foi a mais alta desde que há registos instrumentais globais (início em 1880).


Desde outubro de 2015 (11 meses consecutivos) que se verificam recordes mensais de temperatura média global. A NOAA ainda não publicou os valores relativos a agosto de 2016 mas referiu recentemente, que o mês de julho de 2016 tinha sido o 379º mês com valores superiores à média do século 20, o último com anomalia negativa foi dezembro de 1984.
august 2016 noaa

Em Portugal Continental, os meses de julho e agosto de 2016 igualaram o valor mais alto de temperatura máxima mensal de agosto de 2003 (32,2 °C), sendo os únicos 3 meses cujos valores estão acima de 32 °C (Boletins Climatológicos).

Em relação à temperatura média o mês de julho de 2016 foi o 2º mais quente desde 1931 (início da série), apenas julho de 1989 apresentou um valor de temperatura média mais alto. Agosto foi o 5º mês de agosto mais quente, atrás de 2003, 1949, 2010 e 2005.


august 2016 IPMA

No verão de 2016 (junho, julho, agosto) o valor da temperatura máxima do ar, em Portugal continental, foi o mais alto desde 1931, 30,6 °C, cerca de 2,9 °C acima do valor normal 1971-2000. Foi ainda o 2º verão mais quente desde 1931 (depois de 2005) com o valor da temperatura média de 23,0 °C, cerca de 1,8 °C acima do valor médio.

Desde 1931, 6 dos 10 verões mais quentes ocorreram depois do ano 2000, sendo o verão de 2005 o mais quente em 86 anos.


Fonte: Portal do Clima, 28 de Setembro de 2016

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Madeira: Inundações urbanas e cheias repentinas - flash floods (2010-02-22)


Temperaturas baixam mas país escapa ao frio extremo da Europa


© EPA/KOCA SULEJMANOVIC Em Belgrado, capital da Sérvia, a temperatura era ontem de 20 graus negativos, mas atingiu os -30 nas zonas montanhosas

As temperaturas devem baixar no fim de semana mas o frio em Portugal não causará, previsivelmente, problemas graves como os que se vivem em países geograficamente mais a norte em que a vaga de frio matou mais de 30 pessoas nos últimos dias. Para a Península Ibérica, o problema maior é a falta de precipitação, já a provocar uma situação de seca moderada. E é esta escassez de chuva que resulta mais das alterações climáticas, dizem os especialistas.

O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) prevê descida moderada das temperaturas mas no seu resumo para janeiro antevia até "valores acima do normal para todo o território". No seu boletim de dezembro avaliou a temperatura mínima do ar, 5,5º em média, com uma anomalia de -0.50º C, mas apontava que "valores inferiores aos deste mês ocorreram em cerca de 50% dos anos", desde 1971.

"As pessoas sofrerem com o frio é um fenómeno que acontece desde sempre. As causas são não estarem bem preparadas para lidar com a situação, como a falta de habitação, e haver grupos de população, como os mais idosos, que estão mais sujeitos a ficar vulneráveis aos problemas causados pelo período", disse ao DN Filipe Duarte Santos, geofísico e um dos principais investigadores portugueses que estudam o aquecimento global.

As notícias que chegam de mortes em países da Europa Central e do Norte ou Itália e Turquia permitem concluir que uma grande parte das vítimas são pessoas que não tinham habitação de qualidade, outras, em número considerável, são mesmo sem-abrigo, ou integram grupos mais vulneráveis como imigrantes ou idosos.

Para o professor da Faculdade de Ciências de Lisboa, o maior problema deste inverno é a situação de seca. "As barragens em Espanha e em Portugal estão a 50%. Não são boas notícias tendo em conta que estamos no mês de janeiro. E esta é a face preocupante das alterações: a diminuição da precipitação anual acumulada na Península Ibérica - uma redução de 40mm por década, entre 1960 e 2015", explica.

Da mesma forma, Baltazar Nunes, investigador do Instituto Nacional dr. Ricardo Jorge, considera que as mortes provocadas pelas baixas temperaturas não derivam de fenómenos novos: "A mortalidade no hemisfério norte tem uma sazonalidade bem marcada, é mais elevada no inverno há muito tempo. Deve-se à maior circulação de infeções respiratórias e a outros fatores como as baixas temperaturas, de uma série de patologias cardiovasculares, diabetes, e outras."
 

É "sempre o inverno mais frio"

Prudente nas conclusões, Baltazar Nunes aponta que "hoje há um aumento da temperatura média, um aquecimento global. Mas há igualmente a capacidade da população se adaptar", mais nos períodos de baixas temperaturas do que na situação inversa. Também desvaloriza que haja mortalidade mais elevada devido a baixas temperaturas. "Estamos sempre a reportar que "este foi o inverno mais frio", mas não é claro que assim seja. Atualmente temos ferramentas mais afinadas, a informação é muito melhor e fazemos mais essa relação com os óbitos."

O frio tem "influência maior em certas faixas da população" e em Portugal é muito expectável em relação a outros invernos. Há períodos de temperaturas muito baixas e há os vírus respiratórios, a gripe, já realçada pela Direção-geral de Saúde (DGS), que levará a picos de mortalidade. "Nada de muito diferente do que já vivemos. É importante a vacinação para certos grupos de pessoas e isso está a ser promovido. A DGS já alertou que houve uma mortalidade acima do normal neste inverno devido ao vírus da gripe dominante, mais forte e associado a epidemias, e às temperaturas baixas. As vítimas têm em maioria mais de 65 anos e muitas não tinham sido vacinadas.

O investigador diz que é difícil ter certezas sobre o impacto das alterações climáticas na saúde. "Ainda é precoce fazer essa análise. Há um aumento de calor excessivo e esse é o principal facto, mas precisamos de maiores períodos de observação."

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

A Índia à espera das chuvas das monções, num momento em que a vaga de calor que atinge o país há sete dias já provocou mais de 1400 mortos.

Os estados de Andhra Pradesh e Telangana, no sul do país, são as zonas mais afetada pelas altas temperaturas, quando o mercúrio dos termómetros atinge os 46 graus centígrados.

As autoridades cancelaram as férias e folgas do pessoal médico, quando alguns hospitais se encontram sobrelotados face a milhares de casos de insolação e desidratação aguda.

“Não há eletricidade desde a manhã e não há ninguém que nos ajude. Há dois pacientes por cama e isso não parece preocupar ninguém”, afirma um homem num hospital de Visakhapatnam, a “capital” do estado de Andhra Pradesh.

Os meteorologistas preveem que a onda de calor, uma das mais longas de sempre no país, propagada pelo vento seco proveniente do Irão e Afeganistão, se possa prolongar por pelo menos mais dois a três dias, antes do início das chuvas da época das monções.