segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Duas décadas de confronto na RD Congo fizeram quatro milhões de órfãos


Mais de quatro milhões de crianças perderam pelo menos um dos pais na República Democrática do Congo nas últimas duas décadas, vítimas de um ciclo continuado de violência, escreve hoje a agência Associated Press (AP). Mais de 26 milhões de órfãos vivem no África Ocidental e Central, onde a República Democrática do Congo está situada -- o segundo maior número no mundo, a seguir ao Sul da Ásia, de acordo com as Nações Unidas. Essas crianças cresceram no seio de confrontos alimentados por conflitos étnicos e pela luta por recursos minerais valiosos.

Notícia CM ao minuto, 28-11-2016

Por Lusa|04:59

domingo, 27 de novembro de 2016

Doc: Sandy: Um Rastro de Destruição (Dublado) National Geographic

Conheça as histórias relacionadas com a tempestade mais forte de que se tem notícia e que assolou Nova Iorque. Veja como uma estranha combinação de fenómenos naturais conduziu experiências que alteraram a vida daqueles que sofreram a sua fúria e presenciaram o levantamento de árvores, veículos arrastados pela água e bairros inteiros em chamas. Analisamos cientificamente este enorme choque de sistemas meteorológicos mostrando o que acontece quando um furacão tropical se encontra com uma frente fria sobre a região mais densamente povoada dos Estados Unidos. Será só o começo de um pesadelo que a população mundial enfrentará em função de mudanças climáticas?





 

Furacões | National Geographic

Breve documentário produzido pela National Geographic sobre a formação de um furacão. 




quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Milhares de pessoas retiradas na Costa Rica e na Nicarágua devido a furacão

Países em alerta máximo com furacão Otto.
 
Milhares de pessoas foram retiradas na quarta-feira das zonas da Costa Rica e da Nicarágua que devem ser atingidas hoje pelo Otto, tempestade tropical que voltou a ganhar força de furacão na quarta-feira.

Pelo menos 3.600 pessoas foram retiradas na zona costeira da Costa Rica, país que declarou o estado de emergência nacional devido à aproximação iminente do Otto.

"Este fenómeno vai afetar seriamente uma boa parte do território nacional. O Governo decretará [o estado de] emergência nacional", disse o Presidente da Costa Rica, Luis Guillermo Solís.
Foto Reuters
 
Entretanto, as autoridades da Nicarágua começaram a retirar mais de 10 mil pessoas das zonas do Caribe sul do país.

Ambos os países mantêm o alerta máximo e suspenderam as aulas para o resto da semana. Além disso, na Costa Rica foi decretado o encerramento dos departamentos governamentais hoje e na sexta-feira, à exceção daqueles que prestam serviços de emergência como hospitais ou polícia.

O Otto aproxima-se da Costa Rica e da Nicarágua com ventos sustentados de 120 quilómetros por hora, segundo o mais recente boletim do Centro Nacional de Furacões dos Estados Unidos, publicado às 19:00 (meia-noite em Lisboa).
 
As previsões indicam que o Otto deve alcançar hoje as costas caribenhas da Costa Rica e da Nicarágua, regressando a terra, onde atravessará depois a zona fronteiriça entre os dois países, deixando-a entre sexta e sábado.

"A situação é bastante crítica, já chove torrencialmente", afirmou o chefe de Estado costa-riquenho, insistindo para que os cidadãos não 'baixem a guarda'.

"Isto não é um aguaceiro ou um temporal como aqueles a que estamos habituados. Isto pode ter sérias consequências se não for ouvido o apelo das autoridades", enfatizou.

Se, como previsto, o Otto tocar terra na Costa Rica, este furacão tornar-se-á no primeiro a atravessar o país.

As chuvas associadas ao Otto começaram no passado fim de semana e causaram estragos na Costa Rica e na Nicarágua, danificando dezenas de casas, bem como no Panamá, onde se registaram pelo menos três mortos, de acordo com fontes oficiais.

Na atual temporada de furacões no Atlântico, que começou a 01 de junho e termina no próximo dia 30, formaram-se 15 tempestades tropicais, das quais sete se converteram em furacões: Alex, Earl, Gaston, Hermine, Matthew, Nicole e Otto.
 
Notícia de CMJornal, 24-11-2016

Milhares de pessoas retiradas na Costa Rica e na Nicarágua devido a furacão

Países em alerta máximo com furacão Otto.
 
Milhares de pessoas foram retiradas na quarta-feira das zonas da Costa Rica e da Nicarágua que devem ser atingidas hoje pelo Otto, tempestade tropical que voltou a ganhar força de furacão na quarta-feira.

Pelo menos 3.600 pessoas foram retiradas na zona costeira da Costa Rica, país que declarou o estado de emergência nacional devido à aproximação iminente do Otto.

"Este fenómeno vai afetar seriamente uma boa parte do território nacional. O Governo decretará [o estado de] emergência nacional", disse o Presidente da Costa Rica, Luis Guillermo Solís.
Foto Reuters
 
Entretanto, as autoridades da Nicarágua começaram a retirar mais de 10 mil pessoas das zonas do Caribe sul do país.

Ambos os países mantêm o alerta máximo e suspenderam as aulas para o resto da semana. Além disso, na Costa Rica foi decretado o encerramento dos departamentos governamentais hoje e na sexta-feira, à exceção daqueles que prestam serviços de emergência como hospitais ou polícia.

O Otto aproxima-se da Costa Rica e da Nicarágua com ventos sustentados de 120 quilómetros por hora, segundo o mais recente boletim do Centro Nacional de Furacões dos Estados Unidos, publicado às 19:00 (meia-noite em Lisboa).
 
As previsões indicam que o Otto deve alcançar hoje as costas caribenhas da Costa Rica e da Nicarágua, regressando a terra, onde atravessará depois a zona fronteiriça entre os dois países, deixando-a entre sexta e sábado.

"A situação é bastante crítica, já chove torrencialmente", afirmou o chefe de Estado costa-riquenho, insistindo para que os cidadãos não 'baixem a guarda'.

"Isto não é um aguaceiro ou um temporal como aqueles a que estamos habituados. Isto pode ter sérias consequências se não for ouvido o apelo das autoridades", enfatizou.

Se, como previsto, o Otto tocar terra na Costa Rica, este furacão tornar-se-á no primeiro a atravessar o país.

As chuvas associadas ao Otto começaram no passado fim de semana e causaram estragos na Costa Rica e na Nicarágua, danificando dezenas de casas, bem como no Panamá, onde se registaram pelo menos três mortos, de acordo com fontes oficiais.

Na atual temporada de furacões no Atlântico, que começou a 01 de junho e termina no próximo dia 30, formaram-se 15 tempestades tropicais, das quais sete se converteram em furacões: Alex, Earl, Gaston, Hermine, Matthew, Nicole e Otto.
 
Notícia de CMJornal, 24-11-2016

Presidente chinês promete apoiar comércio livre na Ásia Pacífico

O Presidente chinês, Xi Jinping, comprometeu-se hoje a reforçar o livre comércio na Ásia Pacífico, depois de o Presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, ter anunciado que vai abandonar o Acordo de Associação Transpacífico (TPP).

Xi, que realiza uma visita de Estado ao Chile, prometeu "impulsionar a construção de uma área de livre comércio na Ásia Pacífico e uma economia mundial aberta".

Trump anunciou no início da semana que vai retirar os EUA do TPP no seu primeiro dia na Casa Branca
.

Foto Reuters
Na sua última paragem, num périplo de uma semana pela América Latina, Xi disse que acordou com a sua homóloga chilena, Michelle Bachelet, trabalhar numa "total relação estratégica".

Ambos concordaram reforçar o acordo de livre comércio já estabelecido entre os dois países e assinaram 12 acordos de cooperação.

"Para prosseguir com o desenvolvimentos dos laços a longo termo, decidimos elevar as nossas relações bilaterais para uma relação estratégica e abrir uma nova página nos laços entre a China e o Chile", afirmou Xi em conferência de imprensa.
O Chile é o maior produtor de cobre do mundo e o segundo maior produtor de salmão.

A China é o principal parceiro comercial do país e destino de 25% das exportações chilenas no ano passado.

Esta semana, Xi assinou ainda 18 novos acordos com o Peru.
 
Notícia CMJornal, 24-11-2016.

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Líderes do fórum económico Ásia-Pacífico comprometem-se a combater proteccionismo

Os dirigentes dos 21 países do Fórum para a Cooperação Económica Ásia-Pacífico (APEC) comprometeram-se "a combater qualquer forma de proteccionismo", segundo a declaração do final do encontro que terminou este domingo,em Lima, Peru.

Líderes do fórum económico Ásia-Pacífico comprometem-se a combater proteccionismo

Reuters


Os membros do fórum rejeitam políticas económicas protecionistas num contexto de, como descrito na declaração final, "uma lenta e desigual recuperação da crise financeira de 2008".

A declaração indica que os membros vão "resistir a todas as formas de proteccionismo", incluindo a manipulação de moedas e de taxas de câmbio.

Neste documento, os líderes das 21 nações do APEC referem que vão continuar a trabalhar para um acordo de livre comércio que inclua todos estes países.

No entanto, estas perspectivas para um novo pacto económico foram ensombradas pelo cepticismo do Presidente norte-americano eleito, Donald Trump, em relação ao livre comércio, bem como pelo voto dos britânicos para a saída da União Europeia, aprovada pelos britânicos em referendo já em Junho.

Os membros do APEC comprometeram-se ainda a aderir às metas definidas no ano passado em Paris para as alterações climáticas.

Criado em 1989, o APEC é um fórum composto por 21 países da Ásia e do Pacífico que promove o comércio livre na região, com o objectivo de criar mais prosperidade para os povos através de um crescimento equilibrado, inclusivo, sustentável e inovador.

Entre os países que integram este fórum estão a Austrália, o Canadá, o Chile, a China, o Japão, a Malásia, o México, a Rússia, Singapura, a Tailândia e os Estados Unidos da América.

No seu conjunto, os países da zona Ásia-Pacífico, que são os que mais beneficiaram da globalização, representam 60% do comércio mundial e 40% da população global.

Lusa21 de Novembro de 2016 às 00:09

domingo, 20 de novembro de 2016

Vídeo junto à ação de um tornado

Este vídeo apresenta o comportamento de um tornado de grandes dimensões. A filmagem foi realizada muito próximo da sua ação



quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Portugal no top 10 dos países com melhor desempenho climático

Portugal subiu sete lugares em relação a 2015. A França é o país mais bem classificado.


Foto de FADEL SENNA/AFP

Portugal subiu sete posições no Climate Change Performance Index (CCPI), que foi nesta quarta-feira apresentado na 22.ª Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP22), que está a ter lugar na cidade marroquina de Marraquexe.

Portugal ficou classificado em 11.º lugar entre 58 países industrializados, sendo que os três primeiros lugares não foram atribuídos por se considerar não haver, por agora, nenhum país merecedor do pódio no que respeita à protecção do clima. Daí poder-se afirmar que Portugal, que no ano passado ocupava a 18.º lugar, ocupa em 2016 a oitava posição.

O CCPI é da responsabilidade da organização não-governamental de ambiente GermanWatch e da Rede Europeia de Acção Climática, da qual faz parte a portuguesa Zero – Associação Sistema Terrestre Sustentável.

Esta é uma classificação que compara o desempenho dos países industrializados que, no total, são responsáveis por mais de 90% das emissões de dióxido de carbono associadas à energia. O objectivo do índice, segundo revela a Zero em comunicado, “é aumentar a pressão política e social, nomeadamente nos países que têm esquecido o trabalho nacional no que respeita às alterações climáticas”.

Tal como no ano passado, há, na opinião dos peritos, “uma insatisfação generalizada em relação às medidas tomadas por cada país para assegurarem, à escala global, um aumento de temperatura inferior a 2,0/1,5ºC em relação à era pré-industrial” acordado em Paris em Dezembro de 2015, “havendo também uma opinião muito crítica em relação ao nível de ambição da União Europeia”.

A França, na 4.ª posição, lidera o índice pela primeira vez, resultado da diplomacia que permitiu o Acordo de Paris no ano passado. A Suécia (5.ª) e o Reino Unido (6.ª) “beneficiam ambos de políticas climáticas promissoras estabelecidas por governos anteriores”. Já Marrocos (posição 8), anfitrião este ano da COP22, “continuou a sua tendência ascendente no CCPI 2017. Com investimentos muito significativos em energias renováveis e objectivos ambiciosos a médio e longo prazo, Marrocos é um líder em África”.

“O CCPI deste ano confirma que muitos países da União Europeia (UE), incluindo o Reino Unido, a Suécia, a Dinamarca e a Alemanha, correm o risco de perder o seu papel de liderança no desenvolvimento de energias renováveis. A Dinamarca, líder do índice dos últimos quatro anos, já está a enfrentar as consequências da inversão da sua política climática com uma queda dramática que a coloca em 13.º lugar este ano”, revela ainda Zero.

A subida de Portugal na CCPI deve-se a diversos factores: as emissões do país e as emissões per capita ficaram praticamente no mesmo nível em relação à avaliação do ano passado; nas tendências de emissões, “há uma penalização no sector da produção de electricidade e calor, em grande parte pelo peso que o uso de carvão (eficiente do ponto de vista económico, mas particularmente ineficiente do ponto de vista ambiental) nas centrais térmicas portuguesas continua a ter neste sector”. Já o tráfego rodoviário apresenta uma melhoria, “consequência dos elevados preços dos combustíveis em 2014 que levaram a uma redução do consumo”.

No respeitante às energias renováveis, “há uma melhoria muito significativa pelo maior peso que estão a ter na energia primária, havendo porém também uma forte penalização pelo recente desinvestimento nesta área, face ao crescimento que se estava a verificar”. Quanto à eficiência energética, a cotação é praticamente a mesma em termos de nível de eficiência, “mas há uma melhoria em relação à tendência recente, provavelmente associada à redução de gastos energéticos circunstanciais relacionados com a crise económica dos últimos anos”.

Por fim, Portugal melhora muito na política climática internacional, nomeadamente por ter sito dos primeiros países a ratificar o Acordo de Paris, “mas é penalizado no que respeita à política climática nacional, por se revelar pouco ambicioso em relação aos objectivos possíveis a atingir, ficando-se por compromissos que praticamente já atingiu”, acrescenta a Zero.

A COP22, que termina na sexta-feira, tem como principal objectivo colocar no terreno o histórico acordo de Paris, o primeiro grande acordo global para a redução das emissões de dióxido de carbono. Um já ratificado por 103 dos 197 signatários e que entrou em vigor no dia 4 deste mês.

Um dos principais compromissos que os países assumiram em Paris visa limitar a subida da temperatura "bem abaixo dos 2 graus Celsius" relativos à era pré-industrial e a "continuar os esforços para limitar o aumento da temperatura a 1,5 graus Celsius".

Nesta quarta-feira e até sexta-feira, em Marraquexe, os países vão começar a discutir a forma como os países desenvolvidos ou em desenvolvimento vão ajudar financeiramente os países mais pobres para cumprirem o acordo em Paris relativamente às políticas climáticas.

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Pneumonia e diarreia matam 1.4 milhões de crianças por ano – mais do que todas as outras doenças infantis juntas

Os líderes mundiais reunidos na COP22 têm a oportunidade de assumir compromissos que ajudarão a salvar a vida de 12.7 milhões de crianças até 2030

 A pneumonia e a diarreia juntas matam 1.4 milhões de crianças por ano. A esmagadora maioria destas crianças vivem em países de baixo e médio rendimento. Estas mortes infantis continuam a ocorrer apesar de ambas as doenças serem amplamente preveníveis através de soluções simples e de baixo custo, tais como amamentação exclusiva, vacinação, cuidados de saúde primários de qualidade e redução da poluição do ar no interior das habitações. 

Estas conclusões fazem parte de um novo relatório da UNICEF lançado hoje – ‘One is Too Many: Ending Child Deaths from Pneumonia and Diarrhoea’ (Uma é demasiado: Pôr fim à morte de crianças devidas à pneumonia e diarreia).

A pneumonia continua a ser a principal causa de morte de crianças menores de cinco anos, tendo ceifado a vida de perto de um milhão de crianças em 2015 – aproximadamente uma criança a cada 35 segundos – e mais do que a malária, a tuberculose, o sarampo e a SIDA juntos. 

Aproximadamente metade de todas as mortes de crianças por pneumonia estão ligadas à poluição do ar, um facto que os líderes mundiais devem ter bem presente durante o debate em curso na conferência COP 22, sublinha a UNICEF. “Temos provas claras de que a poluição do ar ligada às alterações climáticas está a prejudicar a saúde e o desenvolvimento das crianças, provocando pneumonias e outras infecções respiratórias,” afirmou Fatoumata Ndiaye, Directora Executiva Adjunta da UNICEF. “Dois mil milhões de crianças vivem em zonas onde a poluição do ar excede os padrões internacionais, e muitas delas adoecem e morrem como resultado. Os líderes mundiais que participam na COP22 podem ajudar a salvar a vida de crianças comprometendo-se a tomar medidas para reduzir a poluição do ar associada às alterações climáticas e acordando em investir na prevenção e nos cuidados de saúde,” disse Fatoumata Ndiaye. 

Como a pneumonia, os casos de diarreia entre crianças podem, frequentemente, estar associados a níveis de precipitação mais baixos decorrentes das alteações climáticas. A disponibilidade reduzida de água potável deixa as crianças em risco acrescido de doenças diarreicas e de sequelas ao nível físico e do desenvolvimento cognitivo. Cerca de 34 milhões de crianças morreram de pneumonia e diarreia desde 2000. 

Sem maior investimento em medidas-chave de prevenção e tratamento, a UNICEF estima que mais 24 milhões de crianças venham a morrer de pneumonia e diarreia até 2030. “Estas doenças têm um enorme impacto na mortalidade infantil e o seu tratamento tem um custo relativamente baixo,” afirmou a Directora Executiva Adjunta da UNICEF. “Contudo, continuam a receber apenas uma pequena parcela do investimento global em saúde, o que não faz nenhum sentido. Esta é a razão pela qual apelamos a um maior investimento global para intervenções de protecção, prevenção e tratamento que sabemos que são eficazes para salvar vida de muitas crianças.” 

A UNICEF recomenda também um maior financiamento nos cuidados de saúde infantis em geral e que uma particular atenção a grupos de crianças especialmente vulneráveis à pneumonia e à diarreia – as mais pequenas e as que vivem em países de baixo e médio rendimento. 

O relatório mostra que:  

  • Cerca de 80 por cento das mortes de crianças ligadas à pneumonia e 70 por cento das que estão associadas à diarreia ocorrem durante os dois primeiros anos de vida: 
  •  Ao nível global, 62 por cento das crianças menores de cinco anos vivem em países de baixo e médio rendimento, mas representam mais de 90 por cento dos casos de morte devido a pneumonia e diarreia no mundo. 
MARRAQUEXE, Marrocos, 11 de Novembro de 2016

Hans Rosling em crescimento populacional mundial.

A população mundial vai crescer para 9 bilhões nos próximos 50 anos - e somente elevando o padrão de vida dos mais pobres nós poderemos corrigir o crescimento populacional. Esta é a resposta paradoxal que Hans Rosling revela no TED@Cannes usando tecnologia colorida para mostrar os novos dados. A não perder!



sábado, 5 de novembro de 2016

Seremos História? (Before the Flood) - Documentário Legendado

O documentário de Fisher Stevens traz o Mensageiro da Paz da ONU, Leonardo DiCaprio, que nos levará à linha de frente da batalha contra as mudanças climáticas. O ator conversa com algumas das pessoas mais proeminentes na causa como Barack Obama, o ex-presidente Bill Clinton, o Secretário de Estado John Kerry, o Secretário Geral da ONU Ban Ki-moon e o Papa Francisco.




Portugueses “perderam” três anos de vida saudável. Mulheres estão pior

Aos 65 anos, os portugueses podem esperar viver apenas mais sete anos sem incapacidades. Em média, as portuguesas têm só mais 5,6 anos sem doenças.

É um dado que está a intrigar e a preocupar os especialistas: os portugueses “perderam” cerca de três anos de esperança de vida saudável em 2014 face ao ano anterior, fenómeno que os responsáveis da Direcção-Geral da Saúde (DGS) vão investigar para tentar perceber o que aconteceu e, eventualmente, rever as ambiciosas metas que tinham traçado para 2020.

As mulheres foram as mais afectadas por esta espécie de hecatombe estatística: aos 65 anos (e estamos a falar de médias, claro), podiam esperar viver apenas mais 5,6 anos sem incapacidades, enquanto aos homens aguardava-os um cenário mais desafogado - 6,9 anos sem doença ou limitações de longa duração. São os dados mais recentes do Eurostat (gabinete de estatísticas da União Europeia) que encheram de surpresa e de consternação os responsáveis da DGS.

Recentemente actualizados pelo Eurostat com dados de 2014, os números deixam Portugal -  que já não estava em boa situação na comparação com os países mais avançados - muito mal na fotografia. Como a esperança de vida não pára de aumentar, vivemos mais tempo, mas o problema é que o vivemos com menos saúde. 

Foto de NUNO FERREIRA SANTOS
As mulheres estão em pior situação. 

Com uma esperança de vida superior à dos homens, vão passar a maior parte dos seus anos de reforma com doenças e incapacidades várias. Sem qualidade de vida, portanto, e na cauda da União Europeia, no que a este indicador diz respeito. Em 2014, em pior situação do que a nossa encontravam-se apenas as mulheres da Letónia e da Eslováquia.

Cenário coloca em causa meta para 2020

Ainda que seja olhado com reservas por alguns especialistas, o indicador esperança de vida saudável (ou anos de vida saudável) tem sido cada vez mais utilizado e invocado pelos responsáveis políticos e pelas autoridades de saúde. Foi mesmo introduzido no Plano Nacional de Saúde (PNS) pela primeira vez em 2015, integrando o grupo das quatro prioridades a trabalhar até 2020.

Os responsáveis da DGS tinham definido como meta para 2020 um aumento em 30% deste indicador. Na prática isto implicaria que passássemos de cerca de nove anos de vida saudável após os 65 (a média que tínhamos atingido em 2013) para 12 anos de vida sem incapacidades em 2020. Mas a quebra de 2014 alterou completamente este cenário.




Sublinhando que desconhecia os dados actualizados pelo Eurostat, o director executivo do PNS, Rui Portugal, considerou-os “surpreendentes” e garantiu que vai tentar perceber se isto pode justificar-se com “os cálculos ou a informação fornecida”. Mas sublinhou, desde logo, que está “muito preocupado” com a diferença entre homens e mulheres - que já era grande e ainda se acentuou em 2014. “É um desastre”, lamentou.

Quanto às metas para 2020, admite que terão eventualmente que ser corrigidas, mas também nota que fazer isto “a meio do campeonato” é complicado. “Vivemos mais, mas vivemos mal, ou pior do que poderíamos viver, nos últimos anos de vida. É um envelhecimento duro. Viver muitos anos não chega”, frisa o médico.

“Será que este indicador é um reflexo de um agravamento geral das condições sócio-económicas do país nos últimos anos e que agora são visíveis? Se sim, por que tem um desfasamento temporal tão grande? Vamos estudar o impacte destes novos dados nas projecções”, prometem Rui Portugal e também Paulo Nogueira, que dirige o sistema de informação e análise da DGS, em resposta conjunta, enviada por email, a perguntas do PÚBLICO.

Geração com baixa escolaridade

Quanto às causas dos maus resultados neste indicador, os dois especulam que isto poderá ser “um efeito de geração”. Porque “a geração que hoje tem 65 anos tem níveis de escolaridade relativamente baixas e exerceu profissões manuais com repercussões em termos de saúde” e quem “iniciou trabalho nos finais dos anos 60 e início dos anos 70 tinha muito pouca assistência médica”.

O certo é que, enquanto os cidadãos de outros países europeus têm, aos 65 anos, 13, 14 e 15 anos de esperança de vida saudável, nós temos metade. O que significa que passaremos a última década de vida doentes e com vários tipos de incapacidades. “Temos que nos ir preparando para envelhecer bem. É preciso introduzir uma nova dimensão da saúde - o bem estar. Isso passa pela saúde ocupacional, as empresas são muito importantes”, recomenda Rui Portugal, que frisa que a principal carga de doença decorre da doença musculo-esquelética e dos problemas de saúde mental.

O que não foi possível apurar é se os membros do Governo que, em 17 de Outubro, decidiram  criar, por despacho, um grupo de trabalho incumbido de definir uma “estratégia nacional para o envelhecimento activo e saudável” no prazo de 180 dias, estariam já na posse destes dados. O preâmbulo é sintomático. “Apesar da esperança média de vida aos 65 anos ser de quase 20 anos, comparando bem com os países europeus com melhores indicadores, cerca desses 16 anos serão vividos sem qualidade de vida”, frisavam. Explicações para a pior situação nacional? A “elevada carga global de doença” e “a conjugação desfavorável de determinantes de saúde”, como as condições socioeconómicas, a literacia, os comportamentos em saúde, elencam.

“Este é um indicador terrível. Vivemos tantos anos como os cidadãos de países mais desenvolvidos, mas vivemos doentes”, comenta o presidente da Associação Amigos da Grande Idade, Rui Fontes. O problema é que, enquanto os países mais avançados investem na prevenção, Portugal investe “nos acamados”, critica.

Depois de ter visto surgir e desaparecer uma comissão para a política de terceira idade e um programa nacional de apoio a idosos, Maria João Quintela, vice-presidente da Sociedade Portuguesa de Geriatria, olha com prudência para a criação do novo grupo de trabalho: “Primeiro é preciso mudar mentalidades e,depois, definir políticas claras para o envelhecimento activo”.

Notícia Jornal "O Público", de