quarta-feira, 12 de junho de 2013

OIT denuncia 10,5 milhões de crianças próximas da escravatura

A Organização Internacional do Trabalho denunciou, esta terça-feira, a existência de 10,5 milhões de crianças usadas em trabalho doméstico, em condições de insegurança e até parecidas com a escravatura.

A realidade no terreno escapa aos esforços internacionais para parar esta exploração, disse o diretor do programa da OIT para eliminar o trabalho infantil, Constance Thomas, citado pela agência noticiosa AFP.A agência da Organização das Nações Unidas para o trabalho disse que cerca de três quartos destas crianças são raparigas e que 6,5 milhões destes trabalhadores domésticos têm entre cinco e 14 anos.

OIT denuncia 10,5 milhões de crianças próximas da escravatura

"A situação de muitas crianças trabalhadores domésticas constitui não apenas uma violação séria dos direitos das crianças, mas também um obstáculo a muitos dos objetivos de desenvolvimento nacionais e internacionais", acrescentou.

A situação mais preocupante é na África subsariana, em particular em países como Burkina Faso, Gana, Costa do Marfim e Mali, pormenorizou a organização.

Num relatório com 87 páginas, divulgado para assinalar o Dia Contra o Trabalho Infantil (esta quarta-feira, 12 de junho), também se destacam as situações nas famílias rurais no Paquistão e Nepal, que são por vezes obrigadas a enviar os seus filhos para trabalhos domésticos como forma de pagarem as dívidas.

No Haiti, centenas de milhares de crianças, incluindo as que escaparam aos desastres naturais, acabaram em situação de trabalho doméstico pouco melhor do que a escravatura.

Milhares de raparigas da Etiópia, adianta-se, são enviadas todos os anos para o Médio Oriente, para trabalhos domésticos.

Vulneráveis à violência física, psicológica e sexual e a condições de trabalho abusivas, acabam muitas vezes isoladas das suas famílias, escondidas do olhar público e muito dependentes dos seus empregadores.

Muitas vezes, acrescenta ainda a OIT, acabam forçadas a prostituírem-se.


Notícia do Jornal de Notícias em 12/06/2013