quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Furacão Matthew

Ruas ficam alagadas em Charleston, Carolina do Sul, com passagem do furacão Matthew pelos EUA (Foto: Jonathan Drake/Reuters)
Ruas ficam alagadas em Charleston, Carolina do Sul, com a passagem do furacão Matthew pelos EUA (Foto: Jonathan Drake/Reuters)


O furacão Matthew atingiu o solo no sudeste da Carolina do Sul na manhã deste sábado (8), informou o Centro Nacional de Furacões (NHC) dos Estados Unidos. Isso significa que o olho do furacão começou a mover-se sobre a terra, provocando uma tempestade que, apesar de enfraquecida, ainda causa estragos na região. Até então, o olho do furacão estava-se a mover sobre o oceano, e passou pela costa dos estados da Flórida e da Geórgia.

Pelo menos 11 pessoas morreram na passagem do furacão pelo país. Três na Geórgia, outras três na Carolina do Norte e cinco na Flórida, incluindo uma pessoa que morreu de ataque cardíaco durante a tempestade.

Espera-se que Matthew chegue à Carolina do Norte à noite, antes de voltar para o mar.

Antes, o furacão passou pela região do Caribe e causou maior destruição no Haiti, onde centenas de pessoas morreram. O último balanço da Defesa Civil, divulgado na manhã deste sábado, apontava 336 mortos. No entanto, autoridades locais disseram à agência Reuters que foram mais de 840 mortes.

Na manhã deste sábado, o Matthew foi reclassificado para a categoria 1 (numa escala que vai até 5), quando a velocidade dos ventos caiu para menos de 135 km/h. Quando atingiu o Haiti, o furacão era classificado com a categoria 4. Perto da Flórida, já tinha caído para a categoria 3 e, em seguida, para a categoria 2.


Inundações e falta de luz

Na Carolina do Sul, o furacão atingiu o solo perto da cidade de McClellanville, a norte de Charleston, de acordo com o NHC, que alertou que um "evento grave de inundação" estava a ocorrer na área. Em Charleston, as ruas do centro da cidade estavam a inundar até a altura dos pneus dos carros, e alguns moradores andavam pelas ruas com a água ao nível das costa, enquanto a maré alta se aproximava.

As autoridades do estado ordenaram a evacuação de 300 mil a 500 mil pessoas de áreas de risco para refúgios em áreas mais no interior, embora isto "não seja suficiente", segundo a governadora Nikki Haley.

O furacão também deixou milhares de casas e empresas no sudeste dos Estados Unidos sem energia elétrica. Na Flórida, um milhão de pessoas permanecem sem energia, segundo o governador, Rick Scott. Na Carolina do Sul, 433 mil estão na mesma situação, segundo a governadora Nikki Haley, e na Georgia são 275 mil sem energia.


Árvore arrancada do solo em Savannah, no estado da Georgia, região atingida pelo furacão Matthew neste sábado (8)  (Foto: DREW ANGERER / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / AFP)

Árvore arrancada do solo em Savannah, na Georgia (Foto: Drew Angerer/Getty Imagens North America/AFP)

As estradas em Jackson Beach, na Flórida, ficaram cheias de entulho e madeira. Cercas e toldos foram derrubados em edifícios em frente ao mar.

O governador Rick Scott, da Flórida, disse que mais de 6 mil pessoas passaram a noite em abrigos entre sexta e sábado, mas ele mostrou-se aliviado pelo fato de a tempestade não ter provocado maiores danos.


 Morador verifica danos a sua cozinha após passagem do furacão Matthew em Ormond Beach, na Flórida  (Foto: Reuters/Phelan Ebenhack)
Morador verifica os danos na sua casa após passagem do furacão na Flórida (Foto: Reuters/Phelan Ebenhack)
Trajetória furacão Matthew (Foto: G1)



Devastação no Haiti

Na região do Caribe, a passagem do Matthew com ventos de até 230 km/h causou grande destruição no Haiti, especialmente na parte do sul do país, que é o mais pobre das Américas. Milhares de casas foram destruídas, e cidades ficaram inundadas. As mortes ainda não foram calculadas, mas estima-se que ultrapassem as 800 vítimas. 

"Considerando as dificuldades de acesso a certas zonas e, sobretudo, as dificuldades de comunicação, não podemos dar um balanço definitivo antes de quarta-feira (12)", disse à AFP a diretora de Defesa Civil, Marie-Alta Jean-Baptiste.

Algumas autoridades locais das zonas afetadas estimam que o balaço oficial, de 336 mortos, é subestimado. Segundo o senador Hervé Fourcand, o furacão Matthew causou a morte de pelo menos 400 pessoas no departamento Sul, que ele representa, enquanto que a Defesa Civil só contabilizou 78 mortes neste local.

"Somos muito prudentes frente a certos números que vemos circular, sem que necessariamente saibamos quem os comunicou e sem que tenhamos detalhe sobre as circunstâncias das mortes", comentou Jean-Baptiste.

As cidades de Miragoâne, Les Caye e Jeremie, todas ao sul, ficaram isoladas e foram totalmente devastadas. 

Diante da dimensão das perdas humanas e materiais, o presidente provisório Jocelerme Privert decretou neste sábado (8) três dias de luto nacional, pouco antes de embarcar para a cidade de Jérémie, capital do departamento de Grande Anse, o mais atingido pelo desastre.

Na região do Caribe, o furacão também passou pela Republica Dominicana, onde quatro pessoas morreram, por Cuba e pelas Bahamas, de onde seguiu para o sudeste dos EUA.


Imagem aérea da cidade de Jeremie, no oeste do Haiti, devastada pelo furacão Matthew (Foto: Nicolas Garcia / AFP)
Imagem aérea da cidade de Jeremie, no oeste do Haiti, devastada pelo furacão Matthew (Foto: Nicolas Garcia / AFP)
Adaptado Do G1, em São Paulo, 08/10/2016

Os furacões mais mortíferos na América nas últimas décadas Sandy, Katrina, Ingrid, Hanna... veja lista de furacões poderosos. Em 2004, tempestade Jeanne deixou 3.000 mortos no Haiti.

O poderoso furacão Matthew, que avançou em direção ao estado americano da Flórida depois de ter causado a morte de mais de 100 pessoas no Haiti, é a mais recente tempestade violenta a atingir o continente americano.

Alguns antecedentes na região nas últimas duas décadas:
2013, México: Manuel e Ingrid

Menino caminha em bairro onde pessoas morreram no desabamento de uma casa após  (Foto: Jacobo Garcia/Reuters)
Menino caminha em bairro onde pessoas morreram no desabamento de uma casa após furacão Ingrid (Foto: Jacobo Garcia/Reuters)
Em meados de setembro, as tempestades Manuel, na costa do Pacífico, e Ingrid, na costa atlântica do Golfo do México, causaram chuvas torrenciais que afetaram 22 dos 32 estados mexicanos. Pelo menos 157 pessoas morreram e 1,7 milhões perderam suas casas.

2012, Estados Unidos: Sandy

30 de outubro - Fotografia mostra estrada na Carolina do Norte danificada após a passagem da supertempestade Sandy em Rodanthe. (Foto: Steve Earley/The Virginian-Pilot/AP)Estrada na Carolina do Norte danificada após a passagem da supertempestade Sandy em Rodanthe. (Foto: Steve Earley/The Virginian-Pilot/AP)



Em 29 de outubro, o furacão Sandy atingiu o estado de Nova Jérsei antes de atravessar a cidade de Nova York, com ventos com força de furacão numa região densamente povoada. Deixou cerca de 200 mortos, incluindo 40 em Nova York, provocou inundações maciças e danificou as infraestruturas da cidade. Antes de atingir os Estados Unidos, tinha afetado a região do Caribe, causando 54 mortes no Haiti e 11 em Cuba.

2008, Haiti: Hanna

Em 3 de setembro, o furacão Hanna atingiu o Haiti, deixando pelo menos 500 mortos. A passagem sucessiva das tempestades Fay, Gustav, Hanna e Ike deixou um total de 1.100 mortos e desaparecidos no período de um mês.



2005, Estados Unidos: Katrina

Em 2005, o furacão Katrina destruiu Nova Orleans e mostrou a vulnerabilidade dos Estados Unidos (Foto: AFP/arquivo)
Em 2005, o furacão Katrina destruiu Nova Orleans e mostrou a vulnerabilidade dos Estados Unidos (Foto: AFP/arquivo)

Mais de 1.800 pessoas morreram ao longo da Costa do Golfo dos Estados Unidos entre 29 e 30 de agosto, quando o furacão Katrina chegou a terra. Um milhão de pessoas foram evacuadas, e os custos financeiros da tragédia ultrapassaram 150 biliões de dólares.

2004, Haiti: Jeanne

As inundações causadas pelo furacão Jeanne entre 17 e 19 de setembro deixaram mais de 3.000 mortos e 300.000 pessoas sem casa.

1998, América Central: Mitch

Entre 26 de outubro e 5 de novembro, o furacão Mitch deixou mais de 9.000 mortos e desaparecidos e 2,5 milhões de pessoas ficaram sem as suas casas, a maioria nas Honduras e na Nicarágua, dois dos países mais pobres da América Latina. O fenómeno foi acompanhado, ainda, pela erupção de um vulcão no noroeste de Manágua.

Da France Presse