domingo, 20 de fevereiro de 2011

O défice democrático no Sudão - A independência do sul

 Sudanês com bandeira do Sudão do Sul durante o anúncio dos resultados preliminaresO Sudão é uma república que representa um dos vários exemplos de défice democrático no continente africano, onde todo o poder está nas mãos do presidente Omar Hasan Ahmad al-Bashir.

Omar al-Bashir e o seu partido está  no poder desde o golpe militar de 30 de Junho de 1989.

Perfaz, actualmente, 22 anos à frente dos destinos do Sudão, o maior país africano, com uma área total de  2 505 813 Km2, mais de 27 vezes o tamanho de Portugal, e o décimo do mundo.

Situado no norte do continente africano, tem o mar Vermelho como costa a nordeste. Faz fronteira com 9 países, nomeadamente: a  República Centro-Africana, o Chade, a República Democrática do Congo, o Egipto, a Eritreia, a Etiópia, o Quénia, a Líbia e Uganda.
Localização do Sudão



O Sudão repleto de diferenças étnicas e religiosas, tornam-no um país de diferentes costumes e culturas, com um fosso muito grande entre o norte muçulmano e árabe, e o sul, afro-cristão ou pagãos que conservam os seus dialectos tribais.

No conjunto da população, os principais grupos étnicos são os árabes sudaneses (49%), os Dinkas (12%), os Núbios (8%), os Bejas (6%), os Nuers (um dos povos com a estatura mais elevada do mundo, sendo vulgar homens com mais de 2 metros de altura) (5%) e os Azandes (3%).

Mas é entre a população do norte e a do sul, que residem os grandes conflitos, bem como na região do Darfur, onde a população negra vai sendo dizimada pela população de origem muçulmana.

O conflito entre norte e sul teve o seu término no ano de 2005, quando se conseguiu um acordo de paz, após duas décadas de guerra civil, que causou mais de 2 milhões de mortos.

A realização de uma consulta popular (referendo) para a independência do sul estava prevista nesse acordo de paz. Mas só, passados 5 anos, é que o referendo se concretizou, tendo-se mantido uma grande instabilidade na região durante este período.

O referendo realizado entre 9 e 15 Janeiro, deste ano, no sul do Sudão, decidiu a independência, com cerca de 99% de votos a favor. O país, que passará a existir oficialmente em Julho, designar-se-á de Sudão do Sul. República do Nilo era outro dos nomes possíveis.

As negociações com o Norte acerca da divisão do país estão em andamento e o Sudão do Sul tem agora exigentes desafios inerentes à criação de uma nova nação, apesar de o presidente Sudanês já ter afirmado que respeita a independência do sul do país e, com as quais, pretende ter as melhores relações.

Crê-se que, agora, terminou um dos mais sangrentos conflitos armados no continente africano, que em muito prejudicaram o desenvolvimento do país, que assenta na produção de produtos primários agrícolas, essencialmente, o algodão, o esteio da sua economia, pese embora os recursos petrolíferos do país, que certamente, poderão mudar o paradigma económico do país.

Estas alterações geopolíticas, são, também, muito importantes a nível internacional. No caso do Sudão, um país cuja população (cerca de 80%) trabalha na agricultura, reserva também muitas outras riquezas O Sudão tem um solo muito rico: petróleo, gás natural, ouro, prata, crómio, manganês,  zinco, ferro, chumbo, urânio, cobre, granito, níquel e alumínio, são alguns dos exemplos a referenciar.
Não foi assim, de espantar, que as duas grandes potências económicas da actualidade, os EUA e a China (que relegou, este ano, o Japão para 3.ª economia mundial) se tivessem pronunciado publicamente, pois as relações comerciais com o Sudão, pelas suas riquezas, é importante.

Barak Obama, o presidente dos Estados Unidos, referiu que os Estados Unidos vão reconhecer o sul do Sudão como um Estado soberano e independente no próximo Verão( aquando da proclamação da independência, em Julho). Manifestando, assim, o seu apoio inequívoco ao futuro Sudão do Sul. Igualmente, anunciou que vai retirar o Sudão da lista de países terroristas.

A República Popular da China afirmou, igualmente, que vai respeitar a independência do Sudão Sul, apesar do apoio que a China prestava ao presidente Omar al-Bashir.

Contudo, estas posições dos gigantes económicos não podem ser desligadas dos interesses que o petróleo, que existe no sul do Sudão, desperta.
Economia à parte, o que é de mais relevante, é o facto de se poder concluir o processo de paz entre norte e sul do Sudão, terminando mais um conflito no continente africano, que não trouxe mais do que um elevado número de vidas, destruição de infra-estruturas e o crescimento da pobreza em determinadas regiões do país.

Espera-se, agora, um novo futuro!




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