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quarta-feira, 29 de março de 2017

Mapa do passado dos sismos em Portugal esclarece riscos no futuro

Investigadores da Universidade de Évora analisaram dados sobre a atividade sísmica em Portugal de 1300 a 2014. O mapa regista 175 sismos neste período e define claramente as zonas de maior risco no futuro.



Uma equipa de cientistas da Universidade de Évora estudou o quanto Portugal tremeu (e onde) ao longo de várias centenas de anos, mais precisamente entre 1300 e 2014. O mapa de intensidades sísmicas máximas observadas destaca a região de Lisboa e arredores, o Norte da costa alentejana e o Algarve como as zonas mais sensíveis. Partindo da certeza de que a terra vai voltar a tremer um dia, os investigadores defendem a adoção de medidas de prevenção nas zonas mais críticas.

Portugal vai sofrer um sismo? “Seguramente”, responde, sem qualquer hesitação, Mourad Bezzeghoud, investigador do Instituto de Ciências da Terra da Universidade de Évora e um dos autores do artigo publicado na revista Sismological Research Letters, da Sociedade Americana de Sismologia.

 
Quando? “Não sou capaz de dizer. É impossível saber isso com exatidão”, admite o geofísico. E onde? O que o mapa que a equipa de investigadores da Universidade de Évora nos diz é que há locais onde um eventual sismo poderá surgir com mais intensidade. São as áreas que escondem perto de nós um “confronto de duas placas tectónicas”, a africana que está a colidir com a euroasiática, explica Mourad Bezzeghoud. Mais precisamente, o Algarve e a região de Lisboa e arredores.


PÚBLICO -

O estudo agora apresentado considerou um período histórico, entre 1300 e 1985, e um período de medições instrumentais entre 1986 e 2014 com dados mais precisos (nomeadamente, os registos feitos pelo Instituto Português do Mar e da Atmosfera, ou IPMA). “Setecentos anos parece muito tempo mas não é nada se pensarmos no tempo da Terra”, avisa o investigador, que faz questão de sublinhar que este estudo é um projeto aberto e pode (e deve) ser alvo de contributos de qualquer investigador interessado. No período histórico foram registados 160 eventos sísmicos e no período mais recente foram usados os dados de 15 sismos. Um total de 175 pontos assinalados no mapa, portanto.

A tremer durante uma "Avé Maria"

Para perceber o que aconteceu antes de 1986 foi preciso recorrer a qualquer tipo de registo. Cartas, relatórios, documentos históricos, notícias, qualquer coisa. Os investigadores recuaram a um tempo em que o registo de um sismo era descrito com um “castigo de Deus” que destruía igrejas e casas e durava “uma Avé Maria”.

Com diferentes fontes de informação, a equipa converteu todos os dados para uma só escala (a Escala de Mercalli Modificada) e para a elaboração do mapa foram apenas considerados os eventos sísmicos com uma intensidade igual ou superior a V (cinco). De acordo com a escala usada, um sismo de intensidade V é aquele que é, por exemplo, capaz de acordar alguém que está a dormir. O IPMA classifica esta intensidade como forte e descreve que pode ser “sentido fora de casa; pode ser avaliada a direção do movimento; as pessoas são acordadas; os líquidos oscilam e alguns extravasam; pequenos objetos em equilíbrio instável deslocam-se ou são derrubados; as portas oscilam, fecham-se ou abrem-se; os estores e os quadros movem-se, os pêndulos dos relógios param ou iniciam ou alteram o seu estado de oscilação”.

Segundo concluíram, aproximadamente cem anos separam os três sismos com magnitude superior a 8,0 na escala de Ritcher (relativa à magnitude, a energia libertada por um sismo) ocorridos no período em estudo: em 1755, com epicentro na costa, sentido em toda a Europa e seguido de tsunami em Portugal, no golfo de Cádis e no Norte de Marrocos; em 1858, com epicentro ao largo da costa; e em 1969, seguido de um tsunami pouco intenso.


O risco sísmico em Portugal continental e na região Atlântica subjacente é caracterizado por eventos moderados a fortes em terra e elevados a muito elevados no mar. Isto já se sabia antes da elaboração deste mapa. Além de tornar mais legível o passado sísmico de Portugal, este estudo deixa avisos para o futuro. O zonamento da perigosidade sísmica é “crítico” para “apoiar a tomada de decisões relativamente à localização e qualidade da construção”, defende Mourad Bezzeghoud. E se pouco podemos fazer além de eventuais reforços em relação aos edifícios que já existem, as novas construções deveriam ser abrangidas por mais regras anti-sísmicas, diz o investigador.

As áreas de maior concentração demográfica coincidem com as zonas com intensidades sísmicas mais elevadas, situação que, alerta ainda o investigador, “conjugada com a inadequada capacidade de grande parte do nosso edificado resistir satisfatoriamente a fortes solicitações sísmicas”, coloca “uma parte importante da população portuguesa numa situação de risco sísmico considerável”.

 Remetendo para um texto sobre o risco sísmico publicado no site da Organização dos Trabalhadores Científicos portugueses, Mourad Bezzeghoud nota que qualquer avaliação deve começar por conhecer, com rigor, como o território foi afetado no passado. São esses os dados que, combinados com o conhecimento científico do fenómeno, vão permitir projetar um futuro mais seguro. “Não podemos impedir a ocorrência de um sismo, mas podemos fazer previsões a médio e longo prazo mais ou menos precisas e tomar as devidas precauções para minimizar consequências humanas ou económicas”, conclui.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Razões para a origem de terramotos continuados no Japão

O Japão é um país caracterizado pelo seu relevo montanhoso de origem vulcânica. O seu ponto mais alto atinge-se aos 3 776 metros de altitude no conhecido monte Fuji.

Localizado no Círculo de Fogo do Pacífico (ou Anel de Fogo do Pacífico), em plena bacia do oceano Pacífico, onde se verificam constantes movimentos de placas tectónicas, o Japão possui oitenta vulcões activos no país e os sismos são consequência disso mesmo. A enorme quantidade de vulcões mostra que nas profundezas do arquipélago o solo é instável e cheio de energia. Isso faz com que o país esteja entre os que mais terramotos registam no mundo e de intensidades elevadas.
Localização do JapãoMapa do Japão


O que é uma placa tectónica?
Uma placa tectónica é uma porção de litosfera limitada por zonas de convergência. As placas convergem horizontalmente, dando-se uma zona de choque entre as mesmas ou de  subducção, em que uma placa mergulha por debaixo de outra placa.
Assim, é nas zonas de fronteira entre placas que se regista a grande maioria dos terramotos e erupções vulcânicas.
O Japão, devido à sua posição geográfica, torna-se assim, um país muito atreito a terramotos porque o seu território enquadra-se na zona de convergência de 4 placas tectónicas diferentes. 
Este mapa que representa as principais placas tectónicas do mundo, permite enquadrar o território japonês na zona de convergência de 4 placas diferentes!

Sismo de 8,9 na escla de Richter e Tsunami no Japão - Consequências e evolução

Só agora escrevo sobre a maior catástrofe natural registada no Japão, desde que há memória. Este tipo de catástrofes têm repercussões e consequências relativamente prolongadas no tempo. Certamente, o que aqui escreverei não será, infelizmente, o final deste triste episódio da "ira da natureza", mas já me permitirá fazer um balanço mais completo desta catástrofe.

 

Intensidade da catástrofe

 

O primeiro sismo, seguido de pelo menos quatro réplicas fortes (uma delas atingiu 6,6 na escala de Richter, em Tóquio), foi registado às 14h46 do 11 de Março, a 179 quilómetros a leste de Sendai, ilha de Honshu, e a 382 quilómetros a nordeste de Tóquio, segundo o Instituto de Geofísica dos Estados Unidos (USGS).


Este sismo foi o mais forte desde o início das medições da intensidade sísmica no Japão, ou seja há 140 anos atrás!

O Tsunami que se lhe seguiu provocou ondas desvastadoras, que entraram costa a dentro e que atingiram cerca de 15 metros de altura, destruindo tudo o que se lhe deparava à frente (carros, estradas, casas...), como se tratasse de um filme apocalíptico.

No site da visão Júnior existe uma série de imagens ilustrativas do tsunami. Deixo aqui o endereço electrónico como complemento deste artigo.
ztarmail.gif (11175 bytes)http://aeiou.visao.pt/sismo-e-tsunami-no-japao=f594205

Esta onda gigante chegou a preocupar os países banhados pelo oceano Pacífico, tendo ocorrido consequências no estado da Califórnia (EUA) e Havai, mas sem consequências graves.

Réplicas

Várias réplicas se têm verificado desde 11 de Março último, mas os números são impressionantes: mais de 1 000 terramotos (todos superiores a 4,5 graus na escala de Richter). Destes 408 sismos tiveram magnitude de pelo menos 5 graus, sendo que o número total poderia ser multiplicado por 10 se se tivesse em conta os sismos com menos de 4 graus.

Mais, do total dos tremores de terra, 68 tiveram uma intensidade igual ou superior a 6 graus e outros cinco registaram pelos menos 7 graus (a mesma intensidade que provocou 300 000 mortos no Haiti, em Janeiro de 2010).
 Os epicentros de todos estes abalos cobrem uma área de 500 quilómetros de norte a sul, entre as costas de Iwate e Ibaraki, e 200 quilómetros de oeste para leste.
Consequências - números arrepiantes

O sismo e o tsunami que se seguiu provocaram a maior crise humanitária da história do Japão desde a Segunda Guerra Mundial (bomba atómica).
 

As perdas humanas eram imprevisíveis, só na manhã seguinte foram encontrados 2000 corpos junto à costa e ainda não se sabia quantos passageiros continha o comboio que foi literalmente arrastado pela força das águas.

Mas o drama humano atingiu números muito superiores e até hoje estão contabilizados 14 949 mortos, continuando desaparecidas 9 880 pessoas, que pode elevar o número total de mortes até aos cerca de 25 000.
As equipas de socorro fazem o que podem para encontrar sobreviventes. Uma tarefa partilhada pelos familiares dos desaparecidos. Os que escaparam à tragédia deparam-se com a falta de comida, água e de apoio.

Quase 131 000 japoneses estão alojados, de forma provisória em edifícios públicos.

Mais de 95 000 edifícios nas regiões afectadas ficaram completamente destruídos.

Cerca de um milhão de casas ficou sem electricidade.

O governo japonês estima que poderá levar cerca de 10 anos até conseguir reconstruir, por completo, as áreas mais afectadas.

Foram produzidos 25 milhões de toneladas de escombros que deverão ser removidas ao longo de 3 anos, estando agora esses escombros amontoados ao longo da costa. O devido armazenamento destes escombros é, igualmente, uma grande preocupação.

Outra enorme preocupação é agora as centrais nucleares afectadas pela catástrofe natural. Os níveis de radioactividade no ar e nas águas, são inúmeras vezes superiores aos valores considerados normais. Mas esta temática deixarei para um próximo post, pois a questão da produção de energia eléctrica a partir de centrais nucleares merece uma grande preocupação ambiental e humana e o seu devido destaque.

Termino esta reflexão com mais algumas imagens ilustrativas desta tragédia que perdurará para sempre na história das maiores calamidades naturais do planeta.

Imagens inéditas do sismo (euronews)
A guarda costeira japonesa divulgou um vídeo com imagens impressionantes do tsunami do dia 11 de Março.
São imagens do momento em que a vaga arrastou tudo no porto e no aeroporto de Sendai e também em várias localidades costeiras das províncias de Iwate e Miyagi.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Fotografias do Terramoto e Tsunami no Japão

Estas são algumas das melhores fotografias retiradas da tragédia ocorrida no Japão em 11 de Março de 2011.

Tsunami redemoinho e ondas perto de um porto em Oarai, Ibaraki (estado) depois do Japão ter sido atingido por um forte sismo ao largo da costa nordeste da sexta-feira 11 de marco, 2011.


Aeroporto de Sendai cercado por águas em Miyagi.
O tsunami ao longo Iwanuma no norte do Japão nesta sexta-feira 11 Março de 2011. O terremoto de magnitude 8,9 bateu costa leste do Japão na sexta-feira, desencadeando um tsunami de 13 pés (4 metros) que varreu barcos, carros, edifícios e toneladas de detritos para o interior.

Fotografias retiradas do site NP - Notícias de Portugal.

O mapa do Carbono

As emissões de carbono estão na base do aquecimento global do planeta. Para que se possa ter uma ideia aproximada de quais são os maiores pr...