segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017
domingo, 15 de janeiro de 2017
NASA confirma o agosto mais quente desde há 136 anos
A NASA confirmou hoje que o mês de agosto foi o mais quente a nível global, desde há 136 anos, igualando o valor de julho de 2016. Nestes dois meses a temperatura média na Terra foi a mais alta desde que há registos instrumentais globais (início em 1880).
Desde outubro de 2015 (11 meses consecutivos) que se verificam recordes mensais de temperatura média global. A NOAA ainda não publicou os valores relativos a agosto de 2016 mas referiu recentemente, que o mês de julho de 2016 tinha sido o 379º mês com valores superiores à média do século 20, o último com anomalia negativa foi dezembro de 1984.

Em Portugal Continental, os meses de julho e agosto de 2016 igualaram o valor mais alto de temperatura máxima mensal de agosto de 2003 (32,2 °C), sendo os únicos 3 meses cujos valores estão acima de 32 °C (Boletins Climatológicos).
Em relação à temperatura média o mês de julho de 2016 foi o 2º mais quente desde 1931 (início da série), apenas julho de 1989 apresentou um valor de temperatura média mais alto. Agosto foi o 5º mês de agosto mais quente, atrás de 2003, 1949, 2010 e 2005.

No verão de 2016 (junho, julho, agosto) o valor da temperatura máxima do ar, em Portugal continental, foi o mais alto desde 1931, 30,6 °C, cerca de 2,9 °C acima do valor normal 1971-2000. Foi ainda o 2º verão mais quente desde 1931 (depois de 2005) com o valor da temperatura média de 23,0 °C, cerca de 1,8 °C acima do valor médio.
Desde 1931, 6 dos 10 verões mais quentes ocorreram depois do ano 2000, sendo o verão de 2005 o mais quente em 86 anos.
Fonte: Portal do Clima, 28 de Setembro de 2016
terça-feira, 10 de janeiro de 2017
Temperaturas baixam mas país escapa ao frio extremo da Europa
© EPA/KOCA SULEJMANOVIC Em Belgrado, capital da Sérvia, a temperatura era ontem de 20 graus negativos, mas atingiu os -30 nas zonas montanhosas
As temperaturas devem baixar no fim de semana mas o frio em Portugal não causará, previsivelmente, problemas graves como os que se vivem em países geograficamente mais a norte em que a vaga de frio matou mais de 30 pessoas nos últimos dias. Para a Península Ibérica, o problema maior é a falta de precipitação, já a provocar uma situação de seca moderada. E é esta escassez de chuva que resulta mais das alterações climáticas, dizem os especialistas.
O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) prevê descida moderada das temperaturas mas no seu resumo para janeiro antevia até "valores acima do normal para todo o território". No seu boletim de dezembro avaliou a temperatura mínima do ar, 5,5º em média, com uma anomalia de -0.50º C, mas apontava que "valores inferiores aos deste mês ocorreram em cerca de 50% dos anos", desde 1971.
"As pessoas sofrerem com o frio é um fenómeno que acontece desde sempre. As causas são não estarem bem preparadas para lidar com a situação, como a falta de habitação, e haver grupos de população, como os mais idosos, que estão mais sujeitos a ficar vulneráveis aos problemas causados pelo período", disse ao DN Filipe Duarte Santos, geofísico e um dos principais investigadores portugueses que estudam o aquecimento global.
As notícias que chegam de mortes em países da Europa Central e do Norte ou Itália e Turquia permitem concluir que uma grande parte das vítimas são pessoas que não tinham habitação de qualidade, outras, em número considerável, são mesmo sem-abrigo, ou integram grupos mais vulneráveis como imigrantes ou idosos.
Para o professor da Faculdade de Ciências de Lisboa, o maior problema deste inverno é a situação de seca. "As barragens em Espanha e em Portugal estão a 50%. Não são boas notícias tendo em conta que estamos no mês de janeiro. E esta é a face preocupante das alterações: a diminuição da precipitação anual acumulada na Península Ibérica - uma redução de 40mm por década, entre 1960 e 2015", explica.
Da mesma forma, Baltazar Nunes, investigador do Instituto Nacional dr. Ricardo Jorge, considera que as mortes provocadas pelas baixas temperaturas não derivam de fenómenos novos: "A mortalidade no hemisfério norte tem uma sazonalidade bem marcada, é mais elevada no inverno há muito tempo. Deve-se à maior circulação de infeções respiratórias e a outros fatores como as baixas temperaturas, de uma série de patologias cardiovasculares, diabetes, e outras."
É "sempre o inverno mais frio"
Prudente nas conclusões, Baltazar Nunes aponta que "hoje há um aumento da temperatura média, um aquecimento global. Mas há igualmente a capacidade da população se adaptar", mais nos períodos de baixas temperaturas do que na situação inversa. Também desvaloriza que haja mortalidade mais elevada devido a baixas temperaturas. "Estamos sempre a reportar que "este foi o inverno mais frio", mas não é claro que assim seja. Atualmente temos ferramentas mais afinadas, a informação é muito melhor e fazemos mais essa relação com os óbitos."
O frio tem "influência maior em certas faixas da população" e em Portugal é muito expectável em relação a outros invernos. Há períodos de temperaturas muito baixas e há os vírus respiratórios, a gripe, já realçada pela Direção-geral de Saúde (DGS), que levará a picos de mortalidade. "Nada de muito diferente do que já vivemos. É importante a vacinação para certos grupos de pessoas e isso está a ser promovido. A DGS já alertou que houve uma mortalidade acima do normal neste inverno devido ao vírus da gripe dominante, mais forte e associado a epidemias, e às temperaturas baixas. As vítimas têm em maioria mais de 65 anos e muitas não tinham sido vacinadas.
O investigador diz que é difícil ter certezas sobre o impacto das alterações climáticas na saúde. "Ainda é precoce fazer essa análise. Há um aumento de calor excessivo e esse é o principal facto, mas precisamos de maiores períodos de observação."
O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) prevê descida moderada das temperaturas mas no seu resumo para janeiro antevia até "valores acima do normal para todo o território". No seu boletim de dezembro avaliou a temperatura mínima do ar, 5,5º em média, com uma anomalia de -0.50º C, mas apontava que "valores inferiores aos deste mês ocorreram em cerca de 50% dos anos", desde 1971.
"As pessoas sofrerem com o frio é um fenómeno que acontece desde sempre. As causas são não estarem bem preparadas para lidar com a situação, como a falta de habitação, e haver grupos de população, como os mais idosos, que estão mais sujeitos a ficar vulneráveis aos problemas causados pelo período", disse ao DN Filipe Duarte Santos, geofísico e um dos principais investigadores portugueses que estudam o aquecimento global.
As notícias que chegam de mortes em países da Europa Central e do Norte ou Itália e Turquia permitem concluir que uma grande parte das vítimas são pessoas que não tinham habitação de qualidade, outras, em número considerável, são mesmo sem-abrigo, ou integram grupos mais vulneráveis como imigrantes ou idosos.
Para o professor da Faculdade de Ciências de Lisboa, o maior problema deste inverno é a situação de seca. "As barragens em Espanha e em Portugal estão a 50%. Não são boas notícias tendo em conta que estamos no mês de janeiro. E esta é a face preocupante das alterações: a diminuição da precipitação anual acumulada na Península Ibérica - uma redução de 40mm por década, entre 1960 e 2015", explica.
Da mesma forma, Baltazar Nunes, investigador do Instituto Nacional dr. Ricardo Jorge, considera que as mortes provocadas pelas baixas temperaturas não derivam de fenómenos novos: "A mortalidade no hemisfério norte tem uma sazonalidade bem marcada, é mais elevada no inverno há muito tempo. Deve-se à maior circulação de infeções respiratórias e a outros fatores como as baixas temperaturas, de uma série de patologias cardiovasculares, diabetes, e outras."
É "sempre o inverno mais frio"
Prudente nas conclusões, Baltazar Nunes aponta que "hoje há um aumento da temperatura média, um aquecimento global. Mas há igualmente a capacidade da população se adaptar", mais nos períodos de baixas temperaturas do que na situação inversa. Também desvaloriza que haja mortalidade mais elevada devido a baixas temperaturas. "Estamos sempre a reportar que "este foi o inverno mais frio", mas não é claro que assim seja. Atualmente temos ferramentas mais afinadas, a informação é muito melhor e fazemos mais essa relação com os óbitos."
O frio tem "influência maior em certas faixas da população" e em Portugal é muito expectável em relação a outros invernos. Há períodos de temperaturas muito baixas e há os vírus respiratórios, a gripe, já realçada pela Direção-geral de Saúde (DGS), que levará a picos de mortalidade. "Nada de muito diferente do que já vivemos. É importante a vacinação para certos grupos de pessoas e isso está a ser promovido. A DGS já alertou que houve uma mortalidade acima do normal neste inverno devido ao vírus da gripe dominante, mais forte e associado a epidemias, e às temperaturas baixas. As vítimas têm em maioria mais de 65 anos e muitas não tinham sido vacinadas.
O investigador diz que é difícil ter certezas sobre o impacto das alterações climáticas na saúde. "Ainda é precoce fazer essa análise. Há um aumento de calor excessivo e esse é o principal facto, mas precisamos de maiores períodos de observação."
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