segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Queda do regime ditatorial no Egipto

O Egipto enfrentou uma grande convulsão social, face ao cansaço provocado, na população em geral (que envolveu muçulmanos, cristãos coptas, e particularmente os jovens), pela posição governativa ditatorial de Hosni Mubarak, implementada no país há cerca de 30 anos.
Localização do República Árabe do Egito
Com uma área de cerca de 1 001 449 km² (29.º maior do mundo), o Egipto faz fronteira a oeste com a Líbia, a sul com o Sudão e a leste com a Faixa de Gaza e Israel. O litoral norte é banhado pelo mar Mediterrâneo e o litoral oriental pelo mar Vermelho. A península do Sinai é banhada pelos golfos de Suez e de Acaba. A sua capital é a cidade do Cairo.

O Egipto é um dos países mais populosos de África. A grande maioria da população, estimada em 80 milhões de habitantes (2007), vive nas margens do rio Nilo (99% da população, que corresponde a cerca de 5,5% da área útil do país), praticamente a única área não desértica do país, com cerca de 40 000 km2, visto que grande parte do seu território é
ocupado pelos desertos do Sara e Arábico.

Apesar de ser um país com reservas de petróleo e carvão (estas muito consideráveis), vive essencialmente da agricultura (culturas tradicionais, algodão e cana-de-açucar), turismo e as receitas proporcionadas pela rota marítima do canal Suez.

Todas estas riquezas, não alívia a pobreza sentida por grande parte da população, que vive com cerca 1,5€/dia, os indícios de elevada corrupção, o abalroamento dos direitos da liberdade de expressão e o incumprimento dos direitos humanos, foram factores decisivos nesta enorme vaga de protestos, gerando altos níveis de instabilidade política e social.

Hosni Mubarak, perante uma revolta tão intensa do povo Egípcio, durante 18 dias, não teve alternativa e demitiu-se, a 11 de Fevereiro, entregando o poder ao Conselho Supremo das Forças Armadas (que sempre o apoiaram contra os manifestantes) por um período de seis meses, a fim de garantirem a gestão corrente do país e conduzir o processo de eleições democráticas.

Certamente, não irá ser um processo fácil e a liberdade tão exigida pelos Egípcios ainda terá um processo de transição, esperando-se que a construção da democracia será uma tarefa difícil.


Quem é Hosni Mubarak?
Nascido em 1928, é presidente do Egipto desde Outubro de 1981, depois do assassinato de Anwar Sadat, de quem foi vice. Mubarak sempre governou o Egipto com mão de ferro, escorado numa lei de emergência que dá ao Estado amplos poderes repressivos. 
Mubarak,  continua no poder depois de vencer quatro eleições presidenciais, sendo que em três disputou como candidato único. Críticos acusam o presidente e ao seu Partido Nacional Democrático de cometer fraudes nas eleições e de suprimir grupos de oposição do processo eleitoral, especialmente o movimento Irmandade Muçulmana.

Para muitos analistas políticos, o precedente aberto no Egipto terá uma força contagiadora aos países vizinhos, adivinhando-se conflitos sociais e instabilidade política no designado mundo árabe.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Regimes ditatoriais ou défice democrático no mundo

Um dos obstáculos ao desenvolvimento diz respeito à falta de democracia, ou seja, regimes governativos que apresentam défices democráticos, ou até mesmo ditaduras militares.

Enquanto que a democracia, pressupões eleições entre os diversos partidos políticos, onde prevalece o respeito pelos direitos humanos e pela liberdade de imprensa.

Sempre que falamos em défice democrático, falamos de países com partidos únicos, regimes militares ou ditatoriais.

Estes regimes não respeitam os direitos humanos e a liberdade de imprensa. Concomitantemente, promovem a corrupção desmedida, o desvio de capitais e o favorecimento das classes dirigentes. Estas situações acabam por estar na origem de confrontos e instabilidade política e social, devido à revolta dos povos submetidos a este tipo de regimes.

De entre eles, existem desde os mais repressivos aos menos repressivos, dando origem a países sem liberdade ou parcialmente livres.

Clique na hiperligação abaixo e observe o mapa mundo que representa o mapa da liberdade de 2010.
Poderá constatar que o número de países sem liberdade ou liberdade condicionada no mundo é extremamente preocupante.

ztarmail.gif (11175 bytes)http://www.freedomhouse.org/template.cfm?page=363&year=2010

Os continentes mais afectados pela falta de liberdade são, sem dúvida, o africano e o asiático.
Actualmente, o movimento de protesto popular na Tunísia, que depôs o presidente autocrático Zine el-Abidine Ben Ali em 14 de janeiro, despertou os cidadãos que vivem sob regimes autoritários em todo o mundo árabe, exigindo novas lideranças, eleições livres e justas, e maior liberdade na suas vidas diárias.

Podemos estar na presença de um movimento histórico que seja rampa de lançamento para uma nova, e melhor, realidade para este tipo de países.

O défice democrático no Sudão - A independência do sul

 Sudanês com bandeira do Sudão do Sul durante o anúncio dos resultados preliminaresO Sudão é uma república que representa um dos vários exemplos de défice democrático no continente africano, onde todo o poder está nas mãos do presidente Omar Hasan Ahmad al-Bashir.

Omar al-Bashir e o seu partido está  no poder desde o golpe militar de 30 de Junho de 1989.

Perfaz, actualmente, 22 anos à frente dos destinos do Sudão, o maior país africano, com uma área total de  2 505 813 Km2, mais de 27 vezes o tamanho de Portugal, e o décimo do mundo.

Situado no norte do continente africano, tem o mar Vermelho como costa a nordeste. Faz fronteira com 9 países, nomeadamente: a  República Centro-Africana, o Chade, a República Democrática do Congo, o Egipto, a Eritreia, a Etiópia, o Quénia, a Líbia e Uganda.
Localização do Sudão



O Sudão repleto de diferenças étnicas e religiosas, tornam-no um país de diferentes costumes e culturas, com um fosso muito grande entre o norte muçulmano e árabe, e o sul, afro-cristão ou pagãos que conservam os seus dialectos tribais.

No conjunto da população, os principais grupos étnicos são os árabes sudaneses (49%), os Dinkas (12%), os Núbios (8%), os Bejas (6%), os Nuers (um dos povos com a estatura mais elevada do mundo, sendo vulgar homens com mais de 2 metros de altura) (5%) e os Azandes (3%).

Mas é entre a população do norte e a do sul, que residem os grandes conflitos, bem como na região do Darfur, onde a população negra vai sendo dizimada pela população de origem muçulmana.

O conflito entre norte e sul teve o seu término no ano de 2005, quando se conseguiu um acordo de paz, após duas décadas de guerra civil, que causou mais de 2 milhões de mortos.

A realização de uma consulta popular (referendo) para a independência do sul estava prevista nesse acordo de paz. Mas só, passados 5 anos, é que o referendo se concretizou, tendo-se mantido uma grande instabilidade na região durante este período.

O referendo realizado entre 9 e 15 Janeiro, deste ano, no sul do Sudão, decidiu a independência, com cerca de 99% de votos a favor. O país, que passará a existir oficialmente em Julho, designar-se-á de Sudão do Sul. República do Nilo era outro dos nomes possíveis.

As negociações com o Norte acerca da divisão do país estão em andamento e o Sudão do Sul tem agora exigentes desafios inerentes à criação de uma nova nação, apesar de o presidente Sudanês já ter afirmado que respeita a independência do sul do país e, com as quais, pretende ter as melhores relações.

Crê-se que, agora, terminou um dos mais sangrentos conflitos armados no continente africano, que em muito prejudicaram o desenvolvimento do país, que assenta na produção de produtos primários agrícolas, essencialmente, o algodão, o esteio da sua economia, pese embora os recursos petrolíferos do país, que certamente, poderão mudar o paradigma económico do país.

Estas alterações geopolíticas, são, também, muito importantes a nível internacional. No caso do Sudão, um país cuja população (cerca de 80%) trabalha na agricultura, reserva também muitas outras riquezas O Sudão tem um solo muito rico: petróleo, gás natural, ouro, prata, crómio, manganês,  zinco, ferro, chumbo, urânio, cobre, granito, níquel e alumínio, são alguns dos exemplos a referenciar.
Não foi assim, de espantar, que as duas grandes potências económicas da actualidade, os EUA e a China (que relegou, este ano, o Japão para 3.ª economia mundial) se tivessem pronunciado publicamente, pois as relações comerciais com o Sudão, pelas suas riquezas, é importante.

Barak Obama, o presidente dos Estados Unidos, referiu que os Estados Unidos vão reconhecer o sul do Sudão como um Estado soberano e independente no próximo Verão( aquando da proclamação da independência, em Julho). Manifestando, assim, o seu apoio inequívoco ao futuro Sudão do Sul. Igualmente, anunciou que vai retirar o Sudão da lista de países terroristas.

A República Popular da China afirmou, igualmente, que vai respeitar a independência do Sudão Sul, apesar do apoio que a China prestava ao presidente Omar al-Bashir.

Contudo, estas posições dos gigantes económicos não podem ser desligadas dos interesses que o petróleo, que existe no sul do Sudão, desperta.
Economia à parte, o que é de mais relevante, é o facto de se poder concluir o processo de paz entre norte e sul do Sudão, terminando mais um conflito no continente africano, que não trouxe mais do que um elevado número de vidas, destruição de infra-estruturas e o crescimento da pobreza em determinadas regiões do país.

Espera-se, agora, um novo futuro!




quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

As convulsões sociais da actualidade e o comércio internacional de Portugal

O comércio internacional, representa uma fonte de lucros para a economia de um país, a partir das exportações. O aumento das exportações contribui decisivamente para o PNB (produto nacional bruto).

As convulsões sociais, os regimes ditatoriais e os conflitos armados que existem a nível mundial, constituem, à partida, óbices ao desenvolvimento do comércio internacional.

As convulsões sociais, de afronta às  governações repressoras de países como a Tunísia, o Egipto ou até mesmo o Iémen, podem ter algumas repercussões no valor das exportações de Portugal, pese embora não sejam os mercados das principais exportações portuguesas.

O que resta saber é, uma vez terminadas as convulsões sociais desses países e instalado um poder democrático, se se vão criar novos mercados mais abertos e disponíveis às exportações nacionais.

Esta é, decididamente, uma questão que só poderá ter resposta no futuro (apesar de não muito longínquo), mas que não deixa de afigurar  o seu estudo como pertinente e um caso a seguir com atenção.

Entrando na hiperligação que abaixo se encontra referenciada, podemos ficar com uma ideia da importância actual desses mercados para a economia nacional, que tipos de empresas operam nesses países e quais os principais produtos exportados.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Sudão um país em contínua guerra civil?

Darfur, região situada na região Oeste do Sudão, é afectada por problemas graves, quer por questões climáticas como as secas e a consequente desertificação, quer pelo excessivo crescimento populacional.
Trata-se de uma região pobre, com um baixo nível de desenvolvimento. Tem cerca de 5,5 milhões de habitantes, onde apenas 15% das crianças do sexo masculino e 10% do feminino frequentam a escola.

Esta realidade originou um dos mais sangrentos confrontos da história do continente africano.
Em 2003, dois grupos armados da região de Darfur rebelaram-se contra o governo sudanês, pro-árabe. O Movimento de Justiça e Igualdade e o Exército de Libertação Sudanesa acusaram o governo de oprimir os não-árabes em favor dos árabes do país e de não apoiar a região de Darfur.
Desde então, este conflito, por muitos designado o genocídio de Darfur, opõe africanos de língua árabe e religião muçulmana e os povos não-árabes da área. O governo sudanês, eminentemente árabe, apoiou os guerrilheiros da religião muçulmana, contra as populações que vivem neste território.
Este sangrento conflito, originou já cerca de  400 000 mortos, segundo dados das Organizações Não Governamentais (ONG’s), que acompanharam este conflito armado. O número de migrantes forçados, visto terem sido obrigados a abandonar as suas terras, atingiu cerca de 2 a 2,5 milhões de pessoas. Tendo muitos deles fugido para campos de refugiados no Chade.

Passados três anos, e dada a dimensão do problema, o Conselho de Segurança das Nações Unidas, foi “obrigado” a enviar forças militares (capacetes azuis) para restabelecimento da paz, com um contingente de 20 000 homens. O Objectivo era apoiar os soldados da União Africana (uma instituição à semelhança da União Europeia que defende a promoção da democracia,  direitos humanos e desenvolvimento do continente Africano).

O Governo do Sudão opôs-se a essa resolução e intensificou os ataques à região de Darfur. Durante este conflito, o governo sudanês foi acusado de violar o direito de liberdade de expressão (chegou a obstruir e prender jornalistas), no sentido de que as notícias tivessem o menor impacto possível na comunidade internacional.

Mas a situação nunca passou despercebida, tais as proporções que havia tomado, o que levou em 2007, uma missão das Nações Unidas a clamar por uma acção internacional urgente para proteger os civis.
Por fim, em Março de 2009, o Tribunal Penal Internacional emitiu um mandado de prisão contra o presidente Omar Hassan al-Bashir, por crimes contra a humanidade e crimes de guerra em Darfur.

Darfur é hoje reconhecido como uma das maiores catástrofes humanas mundiais.
Contudo, Omar Hassan al-Bashir, continua a ser o presidente do Sudão, o maior país africano da actualidade, e que, enfrenta hoje o descontentamento dos sudaneses do sul do país que clamam pela sua independência.
Tratar-se-á de um processo pacífico?

Clica no site abaixo mencionado e consulta o site do Darfur onde podes encontrar fotos e vídeos que ilustram a infeliz realidade desta região.
ztarmail.gif (11175 bytes)http://www.pordarfur.org/htmls/EEAAVApuFyxvYQHnec.shtml

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

A China e o seu potencial nuclear


A televisão estatal da China anunciou nesta segunda-feira (3) que o país desenvolveu um processo próprio para reprocessar combustível nuclear que poderia garantir o abastecimento das suas centrais por 3 mil anos.

O país lançou um ambicioso programa para construir diversas centrais nucleares, mas o media estatal afirma que o actual stock chinês de urânio - usado no programa nuclear - é suficiente apenas para os próximos 70 anos.

Há 24 anos que cientistas chineses trabalham o método de reaproveitamento de combustível.

O novo sistema é caro e complexo, mas permite que o combustível nuclear usado seja utilizado novamente nas centrais.

A China não é o primeiro país a desenvolver estações para reprocessamento de combustível nuclear - França, Grã-Bretanha e Índia já têm tecnologias similares para isso.

Mas, no caso chinês, a tecnologia terá implicações ainda mais significativas, já que o país tem procurado reduzir a actual diversificação das suas fontes energéticas.

Fonte: BBC / G1

A escola discriminatória no Afeganistão e o papel das ONG's

O Afeganistão esteve sob o poder dos Talibã (estudantes de teologia) desde Setembro de 1996. Este regime e a  guerra que se abateu sobre o povo afegão, destruiram 3600 escolas afegãs, ou seja,  grande parte dos espaços que antes estavam reservados à escola. Em consequência, os Talibã  proibiram o ensino das meninas com mais de oito anos.

Apesar das melhorias evidenciadas, em Cabul, a liberdade de aprender nem sempre é respeitada. Por exemplo, a Escola de Música de Cabul, que reabriu depois de oito anos sem funcionar,  continua a não aceitar mulheres. 

Apesar das dificuldades, existe uma enorme vontade de estudar. Até as populações nómadas realçam a importância da educação das suas crianças. Os Kuchis, grupo nómada originário do norte do Afeganistão (província de Parwan), em vez de partir para o Sul, resolveram no último ano fixar-se na pequena vila Sherak para aí construir uma rudimentar escola para as suas 142 crianças. A escola de Sherak é desde então uma realidade. A UNICEF forneceu ardósias, livros e outros materiais escolares.
 Escola de meninas no Afeganistão

Escola para rapazes no Afeganistão

Mas a prova que as ONG (Organizações Não Governamentais) são determinantes na luta contra as adversidades e injustiças, deixo aqui o exemplo da AMI portuguesa, corajosa e persistente na luta pelas suas causas. Corajosa porque ir à escola no Afeganistão, sobretudo quando se é mulher, pode implicar uma sentença de morte. Nos últimos anos vários casos de envenenamento e ataques com ácido visando populações femininas estudantis foram notícia. O ultimo atentado conhecido ocorreu em Agosto passado e levou ao internamento de 59 alunas e 14 professoras de uma escola em Cabul, intoxicadas com um gás venenoso.

Perante estas adversidades a AMI portuguesa financia a escola primária Shawl Patcha, que é considerada um modelo no Afeganistão. A escolha acolhe actualmente 640 crianças e 24 professores e os padrões educativos são altos. As meninas têm aulas de manhã (com staff  feminino); os rapazes à tarde. Este ano, pela primeira vez, as raparigas superam os rapazes.

Trata-se de um caso de sucesso, apesar de a escola ter que ser policiada pelos membros da população em defesa da educação das suas crianças.

Artigo adaptado do Jornal "O Expresso", de 30 de Dezembro de 2010 e de um artigo publicado por Olga Pombo, da Faculdade da Universidade de Lisboa